Palavras de Sabedoria - 3


Recém-casados, vestidos a caráter, atentos à leitura de um livro ao ar livre

"Não viver pelas paixões, mas pela sobriedade."

As paixões são desejos irracionais ligados a fortes emoções, muitas vezes violentas. A paixão não lida apenas com pessoas mas também com as causas defendidas vigorosamente; ou com os objetos, quando então ela degenera em consumismo. Paixão é um tipo de fanatismo. Enquanto a paixão mostra permanentemente seu lado desequilibrado, o amor em seus níveis mais elevados, é suave, tranquilo e participativo.

Sobriedade, um dos temas preferidos pelos filósofos do Tao, é ter um comportamento equilibrado. A sua falta coloca o homem em todo tipo de desvantagem. Ser sóbrio significa ter a mente bem preparada para dialogar, escolher e decidir. Quanto mais difícil for um problema, tanto mais sóbria e competente deve ser a ação. A chamada não-violência, tem tudo a ver com a sobriedade. As grandes vitórias são sempre conseguidas mediante um diálogo sóbrio e eficaz. Conversar exige muita preparação interior, e nem todos estão dispostos a investir em seu crescimento. Uma das tarefas daquele que deseja se aperfeiçoar, é justamente a substituição da paixão pela sobriedade.


"O livro traz erudição, mas não sabedoria."

Erudição está ligada aos conhecimentos mundanos. Os livros em sua grande maioria refletem interesses de indivíduos ou grupos, alimentando até mesmo a vaidade do escritor. Uma pessoa que viveu e vive para os livros, terá uma forte tendência a resolver os problemas pelos modelos que neles encontra, com respostas padronizadas. Se você não utiliza seu bom senso, se não exerce conscientemente seu direito de crítica, acaba virando um robô cultural.

Um famoso jornalista americano, chamado Charles Fort, dizia: "Julgamento suspenso, aceitação temporária, questionamento sempre". O lema da Sociedade Fortiana apelava para a Justiça, para a tolerância e para o processo crítico. Isto não se aprende em livro nenhum. Fort podia até não ter grande cultura, mas sem dúvida tinha sabedoria. O processo mental de um analfabeto e de um luminar para resolver problemas é o mesmo. A única coisa que difere é o volume de informações, que no caso do indivíduo culto é tão grande que pode até atrapalhar.

O homem simples, como dispõe de pouquíssimas informações, utiliza em muito maior escala, sem censura, as coisas que não se aprendem na escola: bom senso, lógica inata, intuição, experiência de vida. Não tem cultura, mas possui algo mais natural e muito mais importante: a sabedoria. Refere-se a um tipo de conhecimento que vem com o andamento da vida, com suas alegrias e percalços, com as soluções encontradas e testadas, com a observação de detalhes. O erudito se apega a vírgulas e outras tolices; o sábio, ao contrário, é tolerante e aberto. A cultura limita o homem, a sabedoria o expande.

Confunde-se cultura com inteligência, com competência, com sabedoria e até com posição social. A cultura é um elemento de referência que o ajudam a solucionar alguma questão. Mas os grandes problemas existenciais do ser humano, que pedem uma resposta urgente, estão muito mais ligados à sensibilidade e à intuição do que à cultura e à razão.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente, de P. G. Romano.
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