O Tao, O wu-wei, o Tai-Chi-Chuan


Bela jovem sorridente e serena em frente às flores ao ar livre

Há dez mil maneiras de se recorrer a esta mágica; todas elas, no entanto, pedem um mínimo de serenidade daquele que pretende receber este benefício. O Tao necessita de um espaço vazio e tranquilo para promover sua atuação reequilibrante. Esta serenidade física e mental pode ser alcançada mediante exercícios, posturas ou simplesmente pela disposição de espírito. É preciso desejar a cura para ser curado. Existe uma disposição chamada wu-wei ou não-fazer, que nada mais é do que deixar a mente momentaneamente vazia e livre das preocupações, e fisicamente não fazer nada, absolutamente nada.

Este não-fazer não é uma atitude de alienação, é uma postura propositadamente receptiva. O fato de possuirmos inteligência e racionalidade dificulta assumir esta disposição, o mesmo não ocorrendo com os animais, que mais facilmente atingem um estado de quietude. O Tai-Chi-Chuan é constituído de movimentos muito suaves, elegantes e moderados que têm como objetivo harmonizar as funções do corpo e da mente, isto é, fazer com que possamos atingir um consciente estado de serena tranquilidade.

Milhões de chineses reúnem-se todas as manhãs nas praças públicas para a prática diária do Tai-Chi-Chuan. Isto lhes assegura uma predisposição adequada para um dia de trabalho produtivo e tranquilo. O que está por trás do Tai-Chi-Chuan é o Tao; nada mais existe nesta prática do que a ação do Tao. Para o povo chinês, o conceito do Tao é inato. Você que nasceu e mora num país ocidental entenderia um Deus sem sentimentos, que não premiasse os bons nem castigasse os maus? Que se ocupasse de muito mais coisas do que o Homem? É difícil, porque durante gerações temos sido educados a ver um Deus antropomórfico, isto é, na forma humana e orientado para as necessidades do homem.

O Deus do homem guarda algumas das características dos deuses pagãos egípcios ou gregos, exatamente porque também estes povos os visualizavam como meros atendentes de suas necessidades pessoais. Deus deve andar mais ocupado com questões relevantes como a Justiça Universal e uma Grande Ética, do que com os mesquinhos códigos morais vigentes neste planeta. Não consigo imaginar Deus favorecendo o time A ou B, ou atendendo preces voltadas a ganhar na loteria ou conseguir um namorado. Milhões de pessoas continuem a tratar Deus como se fosse seu serviçal: me dá isso, me faz aquilo.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente, de P. G. Romano.
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