A Sabedoria, a humildade, o desapego a elogios, a iluminação


Idosa junto de seu cesto de vime e menino em frente de seu notebook conversam sorridentes, sentados lado a lado na vegetação rasa

"O sábio não luta para impor suas ideias e por isto é inatacável."

O que é melhor e mais eficiente? Tentar convencer o mundo de que você é um gênio, ou simplesmente deixar que o tempo e as situações se encarreguem disso? Quem sabe, não precisa dizer que sabe. Quem é, não precisa afirmar coisa alguma. Os exemplos, as atitudes e as palavras, são o passaporte do homem realmente grande. E pessoas assim são de fato inatacáveis, porque não há nada, nada, que diminua seu brilho.


"Assim como não se enche um vaso mais do que sua capacidade, assim nós temos nossos próprios limites."

O sucesso que eventualmente alcançamos, tem muitas vezes a consequência de encher o nosso ego de um sentimento de autossuficiência, que é multiplicado por uma natural vaidade. E isto não é bom. E não é bom porque efetivamente na próxima vez que tivermos que tocar em um assunto um pouco mais complexo, talvez não tenhamos estofo para o expor tão bem. E aí vem uma sensação de frustração muito desagradável. Podem acontecer então duas coisas: ou tomamos consciência de nossa própria limitação e ignorância, ou mergulhamos cada vez mais fundo em nossa própria insensatez.

Os melhores chefes delegam não por ignorar o assunto, mas para que seu papel de supervisão seja efetivamente exercido na obtenção de resultados eficazes. Saber nossos limites é a modéstia na busca da perfeição. Cada um de nós tem valores e méritos. Ninguém deixa de possuí-los. Esta verdade preserva a harmonia geral.

No tema aqui abordado, fala-se em homenagem, em reconhecimento, elogio, etc. E aí, como exercício, podemos nos perguntar o que deveria acompanhar aquela homenagem a nós prestada, de forma que nossa harmonia interna fosse preservada; que não fôssemos tomados por um vulgar sentimento de vaidade ou de orgulho menor. Os passos éticos ou morais medirão nossa caminhada rumo ao que se chama sucesso. Ficar esperando elogios ou palavras de admiração só mostra o quanto se está longe da meta.


"Quem é sábio, não precisa de erudição."

O Tao-Te-Ching não está sugerindo que se deva desprezar o estudo formal e a erudição. Apenas nos alerta para o perigo que representa confundir uma coisa com outra. Sabedoria não depende de cultura ou de conhecimentos de alto nível. Também o erudito não é necessariamente um intelectual, nem o ignorante será, por esta razão, um sábio. A sabedoria é o acúmulo de experiência de vida e de intuição.

Como é possível atingir-se um estado de sabedoria? Isto é conseguido com a idade, com a vida e com a mente aberta para o intuitivo. Supletivamente por uma coisa mágica chamada iluminação. A iluminação é um carisma, um dom recebido, que permite ao indivíduo perceber a síntese sem necessidade de fazer a análise; sentir o todo sem dividi-lo nas partes.

Um sábio, iluminado ou não, sente que a erudição, por maior e mais primorosa que seja, não cobre todas as necessidades do ser humano. Daí dedicar-se, com igual empenho, na busca daquele estado que o permita apontar um problema e ver sublimada a resposta.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente, de P. G. Romano.
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pgromano@hotmail.com
Esta reprodução foi autorizada.
Versão adaptada por Euro Oscar.


Fonte da Imagem Editada

Autor: Sasin Tipchai (Tailândia).
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