A Unidade e o Tao


Pavilhão dourado em meio a um grande jardim e junto a um pequeno lago

E quando falamos em unidade, vem-nos à mente o Tao e muitos outros temas que até hoje, por desconhecimento de sua origem, são chamados de ilógicos, parafísicos ou transcendentes. Esta revolução somente abalaria a fé dos que não a possuem. Deus continuará sendo Deus sempre, pois seria absurdo imaginar que Ele se subordina a descobertas da pesquisa científica. Pelo contrário, isso só confirma a grandeza de Sua criação, através de seu criado.

A influência do Tao não se faz sentir somente nas ciências — as artes são contempladas de maneira notável. Nos jardins e nas pinturas, no canto e na música, nas vestes, na arquitetura e decoração, a Harmonia e serenidade do Tao se fazem matéria e espírito, ação e sentimento.

Os jardins chineses obedeciam uma regra básica: o que lá fosse colocado deveria estar em Harmonia com seu oposto, constituindo o conjunto um todo equilibrado, como são equilibradas as forças universais. As pessoas sentiam a Unidade, expressa pela continuidade do céu, sol e nuvens descendo e se unindo às montanhas, vales, rios e plantas, chegando em sua indescritível beleza à própria pessoa, compondo um amplo e magnífico quadro do Todo.

Ter em um canto da sala um pequeno jardim harmônico constituía uma constante chamada ao equilíbrio e serenidade. O sentimento de integração que estes jardins inspiram é tão maior quanto mais desligados se estiver da razão e da lógica, deixando fluir livremente a intuição e os sentimentos reprimidos.

E os quadros pintados segundo o sentido do Tao? Nestes não havia começo nem fim. Do topo, onde se achava o céu, uniam-se nuvens esmaecidas que ao descer se integravam às escarpadas montanhas ao fundo, formando longos e sinuosos vales em seu sopé, permitindo a ocorrência dos suaves regatos que deixavam suas águas num sereníssimo lago. Nada ali estava por acaso; a Unidade, o Tao, não seria alcançado pelo acaso, senão pelo desejo inexpresso da própria união.

Além dos jardins e da pintura, encontramos ainda a influência do Tao na Música. Ao se ouvir uma canção composta por um seguidor do Tao, notam-se duas Harmonias: a primeira, que é aquela estudada nas Escolas de Música do mundo inteiro; a outra Harmonia, ilógica e irracional, derivada da intuição pura do compositor. O que se vê nos jardins e pinturas sente-se na melodia. As notas têm serenidade e curvas que tangenciam seus opostos, num entrelaçado de suave tessitura. Os acordes acompanham a melodia, transcendendo o objetivo incompleto de agradar somente o ouvido do espectador; é preciso mais — é preciso atingir sua alma.

A dança no Tao tem um histórico notável, que é citado no mais antigo livro da sabedoria chinesa — o I-Ching.


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Fonte do Texto

O Tao do Ocidente, de P. G. Romano.
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