Depressão: Parte 5

Por Rosana Felipozzi


Por ser um transtorno que gera mudança comportamental, em muitos casos bastante acentuada, a depressão é vista com grande preconceito, mesmo nos dias atuais. Para algumas pessoas é considerada como “loucura”; para outras “falta de fé”, entre tantas outras conotações errôneas. O que podemos realmente esclarecer nesse sentido?

Dr. José Ricardo - Julgo oportuna a pergunta. Realmente, tais posições revelam preconceito e ignorância. Ainda nos dias de hoje (pasmem), existem pessoas que acreditam na possibilidade de adquirir epilepsia se tocar na “baba” (saliva) do epilético.

O termo “loucura”, usado com frequência pelas pessoas leigas, mostra-se totalmente inadequado, até depreciativo, não só em relação aos transtornos depressivos quanto aos doentes de qualquer outra patologia psiquiátrica.

Temos tido a oportunidade de conhecer opiniões sobre as causas de depressões, não só de pessoas comuns como dos próprios portadores de depressão, imputando-a à “falta de vontade”, “preguiça”, “fraqueza de caráter”, “defeito pessoal”.

Para estes, a visão de uma pessoa “cheia de saúde” e “forte” mostra-se como fator de incompatibilidade com a realidade da doença presente.

Deve ficar claro que a depressão é uma doença cujo tratamento mostra a recuperação como regra e não como exceção.

As críticas e tentativas de familiares do deprimido querendo forçá-lo a “andar” “passear”, “distrair”, “ocupar-se”, mostram-se inócuas no pico da crise, podendo inclusive aumentar a frustração e sentimentos de menos-valia, ante a impotência do doente em exercer esses papéis e, vez ou outra, exacerbar a irritabilidade deste.

Deve ficar claro que a depressão é uma doença cujo tratamento mostra a recuperação como regra e não como exceção.

A depressão é uma doença da alma ou, como dizem alguns espiritualistas, um alerta para que se inicie um maior aprofundamento da vida no sentido espiritual?

Wlademir Lisso - Sem dúvida, a depressão gera um sofrimento muito grande. Todo tipo de sofrimento, seja físico ou moral, tem essa função de despertamento. Na verdade, o que ocorre é que a dor vem como um aguilhão, que leva o espírito para o caminho da evolução. Quem diz isso é Kardec.

Gosto sempre de citar o exemplo de Virginia Wolff, uma depressiva inata, que afirmava: “Vivo lutando na escuridão e ninguém tem a menor ideia do que eu sinto”. Acredito que é um sofrimento maior do que a dor física.

No meu livro, além de alertar sobre todas as terapias disponíveis, medicamentos, tratamentos psiquiátricos e alternativos, dou ênfase ao desenvolvimento espiritual.

Em minhas palestras, quando me perguntam sobre a presença de algum incômodo, o que se deve fazer, normalmente respondo que quando uma pessoa não está bem com ela mesma é bom procurar fazer alguma coisa que deveria estar fazendo mas não está.

A minha depressão, por exemplo, que era muito grave e se manifestou em vários períodos da minha vida, por incrível que pareça, começou a desaparecer nos últimos seis meses, que foi o período em que me dediquei a escrever o livro e abrir o tratamento espiritual para depressivos graves na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP).

Estou até achando que tudo o que sofri durante quase 50 anos era para escrever o livro e fazer esse trabalho. Esse foi o meu despertamento e, para mim, a dor realmente veio como acréscimo de misericórdia.

 

Fonte

Postado por Wagner Borges em 25 de Fevereiro de 2005 no seu site www.ippb.org.br.
(Extraído da Revista Espiritismo e Ciência no 13, páginas 22-25.)


Agradecimento

Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.

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