Depressão: Parte 4

Por Rosana Felipozzi


O que ocorre quimicamente no cérebro quando o indivíduo entra em crise?

Dr. José Ricardo - Nas últimas décadas, a neuroquímica vem merecendo muita importância nas pesquisas sobre a fisiopatologia da depressão a partir do conhecimento do mecanismo de ação das drogas antidepressivas.

Embora não se tenha um conhecimento final a este respeito, há uma relação entre a sintomatologia depressiva com alterações na concentração cerebral de neurotransmissores, com destaque para a serotonina, noradrenalina e dopamina, bem como a complexa interação entre esses neurotransmissores.

Wlademir Lisso - A referência científica é que neurotransmissores, como a serotonina, dopamina e a noradrenalina, responsáveis pelo prazer e bem-estar, propagam os estímulos nervosos e fazem a comunicação entre os neurônios.

No depressivo, as substâncias citadas não são simplesmente a causa da depressão, mas responsáveis por vários sintomas físicos e emocionais.

Uma educação extremamente voltada para as questões materiais pode colaborar para o desenvolvimento da depressão? Numa sociedade materialista como a nossa, podemos reeducar crianças e jovens?

Wlademir Lisso - Sem dúvida que a educação direcionada para a vida material – transitória, sem a educação para a vida espiritual, eterna – gera desequilíbrios, principalmente porque neste momento vivemos no mundo material, mas continuamos a ser espíritos, e a matéria é apenas o instrumento de que nos servimos para a nossa evolução.

É importante a educação espiritualista, principalmente porque dela depende o sucesso também nas questões relacionadas com a matéria. O equilíbrio vem da atenção que damos ao espírito, e equilibrados conseguimos desenvolver melhor as nossas atividades materiais.

O processo de reversão de valores sociais, de preponderantemente materiais para espirituais, só poderá ser realizado em um período relativamente longo, através das gerações futuras e a partir das experiências negativas que geram sofrimento na geração atual; e, entre elas, a depressão, consequência da educação materialista.

Acredito que o primeiro passo é a conscientização de que a educação é falha e, a partir daí, começar a mudar em relação às novas gerações.

O Espiritismo tem, nesse processo, um papel importante que a meu ver não está cumprindo como deveria, devido à superficialidade com que a maioria dos adeptos encara a Doutrina e a sua responsabilidade perante o mundo em que vivemos.

A formação de evangelizadores (educadores) espíritas não dá ênfase ao aprofundamento no estudo da Doutrina. Aprende-se mais a como passar o Espiritismo através de técnicas de brinquedos, jogos, artes manuais, etc., do que propriamente o conteúdo. O conteúdo se perde na técnica.

 

Fonte

Postado por Wagner Borges em 25 de Fevereiro de 2005 no seu site www.ippb.org.br.
(Extraído da Revista Espiritismo e Ciência no 13, páginas 22-25.)


Agradecimento

Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.

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