Bem-Estar como Modo de Vida: Parte 2
Uma Conversa com Deepak Chopra
O estresse é, obviamente, um culpado oculto e importante por trás de muita enfermidade, morte e doença. Como você recomendaria que reduzíssemos nosso nível de estresse, particularmente diante de alguns dos eventos dos últimos meses (os jornalistas referem-se ao atentado de 11 de setembro e suas consequências)?
Obviamente, não existe qualquer fórmula; todas as pessoas têm suas técnicas favoritas. Podemos falar sobre música, meditação, yoga, técnicas respiratórias, relaxamento.
A coisa mais importante para se entender é que as pessoas ficam estressadas quando suas necessidades são ameaçadas e que todos nós, como seres humanos, temos necessidades fundamentais tais como a sobrevivência, a segurança, o amor, a necessidade de possuir coisas, a autoestima e a espiritualidade.
Quando as necessidades são ameaçadas - e são ameaçadas, certamente, pela tragédia que aconteceu -, a primeira coisa é que as pessoas sentem-se arranca das do fluxo da vida. Sentem-se isoladas e separadas, e isso acarreta muito medo.
Se o ocorrido for muito repentino, o medo levará ao choque, ao torpor e à negação, porque você não quer acreditar que aconteceu.
Segue-se uma fase de vulnerabilidade e desamparo.
Essa é uma oportunidade de fazer contatos, oferecer e procurar ajuda, e de se aproximar realmente de outras pessoas, pois esse estágio de vulnerabilidade e desamparo – se não for enfrentado apropriadamente através da procura e contato com pessoas - levará a ataques de pânico ou ansiedade aguda.
Logo, procura-se um escape através da raiva e da hostilidade, pois a raiva serve para dois propósitos: ela lhe dá algo externo para focalizar, em vez de encarar o que está acontecendo no intenor; e também lhe dá uma sensação de controle, ou seja, a pessoa tem alguma coisa para fazer.
Logo, a raiva e a hostilidade tornam-se justificativas para mais raiva e hostilidade e, através dessa justificativa, têm-se violência, intolerância e, finalmente, terrorismo, que depois leva a um estado de ansiedade crônica em que cada pequeno estímulo no ambiente provoca ansiedade.
E, no final, muito desperdício de energia, depressão e culpa, o que depois perpetua o ciclo de raiva, hostilidade, ansiedade, depressão e culpa.
Essa é a anatomia do medo, sempre que nossas necessidades são ameaçadas. Então, para responder sua pergunta de uma maneira bastante simples, pergunte a si mesmo: "Do que estou precisando agora na área de sobrevivência, segurança, amor, posses, autoestima e espiritualidade?" Depois, procure cumprir as suas necessidades. Essa é a melhor maneira de impedir que seu corpo e mente entrem em entropia. (continuação)
Fonte
Postado por: Wagner Borges em 14 de Março de 2003 no seu site www.ippb.org.br.
(Extraído da Revista Sexto Sentido, Número 34, Páginas 12-17.)
Agradecimento
Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.