A Sabedoria da Cabala: Parte 3
Entrevista ao Rabino Mishael Yehuda Halevi
Por Alex Alprim, da Revista Sexto Sentido.
O senhor teve contato com pessoas que pertenceram a outras culturas e que também tinham esse tipo de conhecimento?
Na realidade, nós vemos que a cabala está presente em outros povos e culturas, como no budismo, por exemplo. Quando alguém produz uma nova revelação, essa energia sobe e permeia todo mundo.
Então, os receptores que estão abertos se conectam com esses depósitos, trazendo esta sabedoria para baixo e criando uma nova consciência; mas tudo teve princípio na cabala, e ela começou onde? No Jardim do Éden, com Adão.
Ele recebeu o primeiro livro de cabala, chamado Livro de Raziel, entregue a ele por um anjo chamado Raziel. A cabala explica que esse livro era tão poderoso que apenas folheá-lo era o mesmo que brincar com um cabo de alta tensão. Assim, essa sabedoria vem sendo estudada por milênios.
Pessoas que entraram no seio do povo de Israel, aprenderam, estudaram com rabinos, levaram para seus povos e assim por diante, e isso foi crescendo até chegar ao ponto em que nós estamos hoje.
Existe uma crença ocidental de que as ideias de reencarnação estão muito ligadas às culturas do Oriente como Japão, índia e China, e de que a filosofia mística ocidental não se refere muito à ideia da reencarnação.
Existe a noção de reencarnação na cabala?
Existe, desde o princípio. Aliás, desde quando o homem foi retirado do Jardim do Éden, "a roda", como nós chamamos - ou girgul, em hebraico -, a palavra reencarnação existe. Por exemplo, no capítulo 2, verso 7 do Gênese, que conta a história da criação do homem, é dito que Deus soprou em suas narinas o fôlego de vida. Em hebraico, a palavra que está escrita é neichma rain, "espírito de vidas".
A palavra "vida" não existe na língua hebraica, não tem singular. Sempre que a palavra hebraica "vida" aparece na Bíblia, em hebraico, ela está escrita no plural, "vidas".
O que acontece é que Adão trouxe a consciência do pecado, e todas as almas estavam nele. O que as pessoas não sabem é que o Adão do Jardim do Éden não era uma figura humana, mas uma figura espiritual, energia, e nele estavam todas as almas que povoariam o mundo.
Então, quando Adão trouxe a consciência do pecado, o corpo dele foi fragmentado em milhares e milhares de centelhas, que descem ao mundo o tempo todo. (continuação)
Fonte
Postado por: Wagner Borges em 31 de Outubro de 2003 no seu site www.ippb.org.br
(Extraído da Revista Sexto Sentido)
Agradecimento
Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.