O Calígrafo e o Budismo - Parte 2 (de 3)

Dessa maneira, o rei repetiu a rigorosa ordem. I-Lung, embora não desejando contrariar o pai, compreendeu que não podia mais desobedecer a ordem real, e então escreveu os títulos (dos oitos volumes) do Sutra de Lótus, e entregou seu trabalho ao rei.

Voltando para casa, I-Lung visitou o túmulo do seu pai e, derramando lágrimas, relatou: "O rei ordenou-me tão rigorosamente que eu, contra a minha vontade, escrevi os títulos (dos oito volumes) do Sutra de Lótus".

Na sua tristeza não podia fugir à culpa de ser mau filho, e ficou junto ao túmulo durante três dias, jejuando até a beira da morte. Na hora do Tigre no terceiro dia, ele estava quase morto e sentiu como se estivesse sonhando.

Ele olhou para o céu e viu um ser celeste que parecia exatamente igual a Taishaku numa pintura. Sua multidão de seguidores enchia o céu e a terra. I-Lung perguntou-lhe que era. O ser celeste respondeu:

"Não me reconhece? Eu sou seu pai, Wu-lung. Enquanto estive no mundo humano, aderi às escrituras não budistas e mantive inimizade com o Budismo, particularmente com o Sutra de Lótus. Por essa razão, caí no inferno dos incessantes sofrimentos."

"Todos os dias a minha língua era arrancada várias centenas de vezes. Ora estava morto, ora estava vivo. Vivi chorando em agonia, alternadamente olhando para o céu e atirando-me ao solo, mas não havia ninguém que ouvisse os meus gritos. Queria comunicar ao mundo humano a minha angústia, mas não havia como o fazer.

Sempre que você insistia em cumprir o meu desejo, suas palavras se transformavam ora em chamas para atormentar-me, ora em espadas que choviam do céu sobre mim. Seu procedimento foi extremamente impróprio de filho. Entretanto, como estava agindo para cumprir o meu desejo, não pude odiá-lo pois eu estava apenas recebendo a retribuição do carma do meu próprio ato."

"Enquanto pensava desse modo, apareceu repentinamente um Buda dourado no inferno dos incessantes sofrimentos, e declarou:

"Mesmo que o universo esteja repleto de pessoas que tenham destruído suas boas causas, se elas ouvirem o Sutra de Lótus mesmo uma só vez, jamais deixarão de atingir a Iluminação".

Quando esse Buda entrou no inferno dos incessantes sofrimentos, foi como se tivesse havido um dilúvio num grande incêndio. Quando meus sofrimentos diminuíram um pouco, juntei as palmas das mãos e perguntei-lhe que Buda ele era. O Buda respondeu:

"Eu sou o caráter myo, um dos sessenta e quatro caracteres dos títulos do Sutra de Lótus que o seu filho, I-Lung, está agora escrevendo".


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Fonte

www.maisbelashistoriasbudistas.com
As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro, a quem muito agradeço pela oportunidade de aqui compartilhar estas edificantes parábolas.


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