O Calígrafo e o Budismo - Parte 1 (de 3)
Certa vez, houve um calígrafo na China chamado Wu-lung. Em sua arte, ele não tinha rival em todo o país, tal como Dofu ou Kozei no Japão. Ele odiava o budismo e jurou que jamais iria transcrever escrituras budistas.
Quando o seu fim se aproximou, ele caiu seriamente doente. No seu leito de morte, expressou seus últimos desejos ao seu filho, dizendo: "Você é meu filho. Não somente herdou a minha habilidade, como escreve com melhor mão que eu próprio. Não importando que má influência possa agir sobre você, não deverá copiar o Sutra de Lótus".
E então o sangue jorrou como fonte, dos seus cinco órgãos dos sentidos. Sua língua partiu-se em oito Partes e o corpo desintegrou-se em dez direções.
Mas os seus parentes, ignorando os três maus caminhos, não compreenderam que isso era sinal de que ele cairia no estado de Inferno.
O nome do filho era I-Lung. Ele também mostrou ser o melhor calígrafo da China. Obediente ao desejo do seu pai, ele jurou que jamais transcreveria o Sutra de Lótus. O rei, na época, tinha como nome Tsu-ma.
Ele acreditava no Budismo e tinha especialmente o Sutra de Lótus em alta consideração. Ele queria ter esse sutra transcrito por um excelente calígrafo - que não fosse outro senão o melhor do país - para ter assim uma cópia para si mesmo.
Assim, convocou I-Lung. Este explicou que o desejo do seu pai o proibia, e rogou ao rei que o dispensasse da tarefa.
Não desejando obrigá-lo a desobedecer o desejo do pai, o rei chamou um outro calígrafo para transcrever o sutra. O resultado, entretanto, estava longe de satisfatório.
O rei mandou novamente chamar I-Lung e disse-lhe: "Como o senhor afirma que o desejo do seu pai lhe proíbe, nós não o compelimos a transcrever o sutra.
Nós insistimos, entretanto, que obedeça pelo menos a nossa ordem de escrever os títulos dos oitos volumes. I-Lung suplicou repetidamente para ser dispensado. O rei, agora furioso, disse:
"O senhor continua insistindo no desejo do seu pai, mas ele foi tão súdito nosso quanto o senhor é. Caso recuse escrever os títulos temendo faltar para com o amor filial, nós o acusaremos de desobediência a decreto real".
Fonte
www.maisbelashistoriasbudistas.com
As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro, a quem muito agradeço pela oportunidade de aqui compartilhar estas edificantes parábolas.
Reedições
Novas revisões, adaptações e edições por Euro Oscar, autor deste site.