Tarô - O Oráculo dos Bons Conselhos: Parte 4
Por Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa
Em 1760, Nicolas Conver fundou a Maison Camoin. Seu tarô de Marselha é o mais popular de todos os tempos. Marselha, no sul da França, foi o local em que chegaram novas filosofias e pensamentos que ampliaram os horizontes limitados da Idade Média.
Ainda no século 18, o escritor francês Court Gebelin identificou o tarô como sendo de origem egípcia. Eliphas Lévi (Alphonse Louis Constant), padre católico, filósofo e simbologista, percebeu que os 22 Arcanos maiores do tarô correspondiam ao número de letras do alfabeto hebraico, relacionando-os ao 22 caminhos da Árvore da vida.
O médico francês Gerard Encausse (1865-1917), ou Papus, utilizou o termo “tarô esotérico” para diferenciar um saber tradicional preservado por símbolos, ideogramas e letras, mudando o paradigma da cartomancia vigente na época, em seus livros sobre o tarô: O Tarô dos Boêmios (1889) e O Tarô Adivinhatório (1909).
Arthur Edward Waite (1857-1942) afirmava que o tarô incorporava as representações simbólicas das ideias universais, por trás das quais estão todos os subentendidos da mente humana:
“É nesse sentido que o tarô contém a doutrina Secreta, que é a percepção de poucos, das verdades encerradas na consciência de todos, mesmo que elas não tenham sido reconhecidas claramente pelas pessoas comuns. A teoria informa que essa doutrina sempre existiu e que ela surgiu na consciência de uma minoria escolhida, sendo perpetuada em segredo de uma pessoa para outra e registrada em livros secretos, como os de alquimia e de cabala. Acima da chamada Doutrina Secreta existe uma experiência, ou uma prática que a justifica”.
No início do século 20, a psicologia influenciou a elaboração de novas variações do antigo oráculo, com tarôs que incorporaram conscientemente elementos psicológicos.
A partir de então, com os novos conhecimentos divulgados por Jung, terapeutas e pesquisadores passaram a adotar uma postura científica em relação ao simbolismo do tarô. O ser Humano passou a entender melhor os fenômenos parapsicológicos e as profundezas da mente e do subconsciente.
Independentemente de qualquer coisa, o tarô ganhando espaço através dos tempos e chegou ao mundo contemporâneo como mais um antigo de consumo. Sabe-se que pessoas das mais variadas idades e profissões utilizam-no de diversas formas. Casas comerciais, revistas e bares fazem uso de suas imagens e dos nomes de suas cartas, introduzindo-as em nosso cotidiano.
Nesse emaranhado de usos e abusos, às vezes fica difícil saber onde se encontram os iniciados ou, pelo menos, pessoas que buscam no tarô elementos para uma compreensão mais séria da vida presente, para a decifração do passado ou do futuro.
Mas nesse contexto isso talvez não seja o mais importante, porque se ele é uma grande reserva de sabedoria, o simbolismo estará sempre “atento” mesmo quando é utilizado por puro divertimento ou de forma inadequada.
Uma viagem pelas cartas do tarô é uma viagem às nossas profundezas. Estuda-lo é ter compreensão de si mesmo em todas as etapas de nossa vida. A caminhada pelos 22 Arcanos maiores é traçado humano em busca de si próprio. (continuação)
Fonte
Postado por: Wagner Borges em 4 de Março de 2005 no seu site www.ippb.org.br
(Extraído da revista Sexto Sentido, Ano 5 – Número 53.)
Agradecimento
Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.