Tarô - O Oráculo dos Bons Conselhos: Parte 3
Por Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa
Portanto, há milhares de anos, os símbolos, lendas, mitos e enigmas têm sido utilizados por sacerdotes ou membros de ordens esotéricas como uma forma de preservar o conhecimento que, no ocultismo, é chamado “Grande Arkanum” ou “Doutrina Secreta”.
A origem do tarô é contada em muitas lendas. Uma delas, divulgada por Papus, conta que, há milhares de anos, o reino do Egito estava seriamente ameaçado de ser destruído por inimigos. Os sacerdotes temiam que todo o conhecimento conquistado ao longo dos anos poderia perder-se para sempre. Os sumos sacerdotes se reuniram a fim de encontrar uma forma de manter o conhecimento e transmiti-lo à humanidade, apesar da provável destruição do reino.
Um dos sacerdotes sugeriu que o conhecimento fosse talhado, com desenhos e símbolos, nos muros e paredes das pirâmides. A ideia não foi aceita, pois, com o tempo, paredes e muros se deterioram.
Outro sacerdote sugeriu iniciar nos Grandes Mistérios, dez sacerdotes, que seriam encarregados de transmitir o conhecimento a outros sábios. Um dos sacerdotes foi contra a ideia, argumentando que: “A sabedoria não é um estado duradouro e, muitas vezes, o sábio se torna um tolo.
Dessa forma, a estabilidade do nosso conhecimento não estará segura. No entanto, há algo que é estável na humanidade: o vício. Portanto, devemos confiar nossos conhecimentos ao vício. Só assim poderemos ter a certeza de que ele sobreviverá a todas as intempéries e mudanças do tempo”.
A sugestão desse sacerdote foi aceita, e passaram a desenhar todo o conhecimento nas imagens das cartas que, então, foram distribuídas ao povo, que fez do jogo um de seus vícios prediletos. Os sacerdotes acreditavam que, em um determinado período da história, o homem perderia o fascínio pela matéria e, valorizando mais a sua alma, descobriria o conhecimento contido nas cartas.
Existem dúvidas quanto à origem do tarô. Enquanto alguns dizem que nasceu no Egito, outros insistem que veio da Índia, trazido pelos ciganos. Acredita-se que, devido às Cruzadas e ao comércio com o Oriente, vários elementos filosófico-culturais se misturaram para gerar esse oráculo em sua presente forma.
O primeiro tarô de que se tem notícia foi elaborado em 1392 a pedido de um nobre da corte que queria presentear o Rei de França, Carlos VI, tendo como tema o universo da Idade Média.
Ainda na Idade Média, sofreu influência dos celtas (povo que habitava a França e as ilhas Britânicas) e das lendas e arquétipos da tradição arturiana (com seu universo de druidas, elementais, cruzadas, magos e feiticeiros). Durante a Renascença, foi influenciado pela estrutura filosófica grega.
Diversos baralhos diferentes surgiram na Europa nos séculos subsequentes, cada um espelhando a cultura local e os elementos da sociedade e da dinastia de cada corte. (continuação)
Fonte
Postado por: Wagner Borges em 4 de Março de 2005 no seu site www.ippb.org.br
(Extraído da revista Sexto Sentido, Ano 5 – Número 53.)
Agradecimento
Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.