Poesias de William Blake


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William Blake

William Blake (Londres, 28 de novembro de 1757 — Londres, 12 de agosto de 1827) foi um poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica. Ele viveu num período significativo da história, marcado pelo iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra.

No primeiro volume de poemas, Canções da Inocência (1789), aparecem traços de misticismo. Cinco anos depois, Blake retoma o tema com Canções da Experiência, estabelecendo uma relação dialética com o volume anterior, acentuando a malignidade da sociedade. Inicialmente publicados em separado, os dois volumes são depois impressos em Canções da Inocência e da Experiência - Revelando os dois estados opostos da alma humana.

Apesar de seu talento, o trabalho de gravador era muito concorrido em sua época, e os livros de Blake eram considerados estranhos pela maioria. Devido a isto, Blake nunca alcançou fama significativa, vivendo muito próximo à pobreza.
(Resumido e adaptado da Wikipédia)

Índice

A Mosca;
Canção Louca;
Das Canções da Inocência (Introdução);
Mote de Thel;
O Torrão e o Seixo;
Provérbios do Inferno.


A Mosca

Minimosca
Teu giro de verão
Minha mão à toa
Desmanchou.

Não sou eu
Mosca também?
Ou não és,
Como eu, ninguém?

Pois eu danço
E bebo e canto
Até que brusca mão
Me espanta.

Se pensamento
É ar no peito
E se é morte
Perdê-lo,

Então sou
Mosca feliz
Se eu vivo
Ou se vou

(Tradução de Regina
de Barros Carvalho)


Canção Louca

A brava brisa brame
E a noite é fria;
Vem a mim, Sono,
E abraça minha agonia.
Mas arre! O dia prenhe
Preenche já o leste,
E as aves sonoras da aurora
Da terra se escarnecem.

Arre! Para os ares
Da cúpula celeste
Minhas notas partem,
Fartas de pesares.
Elas batem no ouvido da noite,
Molham os olhos do dia
Brincam com tempestades
Enlouquecem a ventania.

Como um demônio na nuvem
Em uivo agudo,
Pela noite eu procuro,
E com a noite me curvo;
Não me serve o leste
Onde o consolo acresce,
Pois a luz agarra meu cérebro
Com dor frenética.

(Tradução de Regina
de Barros Carvalho)


Das Canções da Inocência
(Introdução)

Tocando uma flauta no vale selvagem,
Tocando canções doces e alegres,
Vi uma criança aparecer nas nuvens,
E ela me disse sorrindo:
"Toque aquela do cordeiro";
Então toquei alegremente;
"Toque de novo a canção, por favor" -
Então eu toquei, e ela chorou ao ouvir.

"Largue a flauta, essa sua flauta feliz
E cante canções que tragam alegria;
Então toquei a mesma canção,
Enquanto ela chorou de prazer, ao ouvir.

"Flautista, sente-se e escreva
Num livro para que leiam" -
Então ela desapareceu".
E eu peguei um junco oco,

E fiz uma caneta rústica,
E a mergulhei nas águas límpidas
Para escrever as felizes canções
Que toda criança aprecia tanto ouvir.


Mote de Thel

Sabe Águia o que há na toca?
Ou à Toupeira perguntarás do que se trata?
Cabe a Sabedoria numa vara de prata?
Ou o Amor numa taça de ouro?


O Torrão e o Seixo

"O Amor jamais a si quer contentar,
Não tem cuidado algum como o que é seu;
Sacrifica por outro o bem-estar,
E, a despeito do Inferno, erige um Céu"

Esse era o canto de um Torrão de Terra,
Pisado pelas patas da boiada;
Mas um Seixo, nas águas do regato,
Modulava esta métrica adequada:

"O Amor somente a si quer contentar,
Atar alguém ao próprio gozo eterno;
Sorri quando o outro perde o bem-estar,
E, a despeito do Céu, ergue um Inferno."


Provérbios do Inferno

No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.

Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos.

O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.

A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.

Aquele que deseja e não age engendra a peste.

O verme perdoa o arado que o corta.

Imerge no rio aquele que a água ama.

O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê.

Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.

A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo.

À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas.

As horas de insensatez, mede-as o relógio;
as de sabedoria, porém, não há relógio que as meça.

Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço.

Toma número, peso & medida em ano de míngua.

Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas.

Um cadáver não revida agravos.

O ato mais alto é até outro elevar-te.

Se permitisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria.

A tolice é o manto da malandrice.

O manto do orgulho, a vergonha.

Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, os tijolos da Religião ...

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