Porisada, o Rei de Benares - Parte 16 (de 16)
Pós-Escrito sobre a História de Porisada, datado da mesma época de Buda
Eu disse no início que Porisada era o rei de Benares num tempo muito atrás, ou mesmo até mais ainda antes disso. Bem, não é fácil medir exatamente quão distante esse tempo foi. Como podemos contar os grãos de areia de uma praia ou as ondas do oceano? Porisada, Srutasoma, o venerável sacerdote, a divindade árvore e o sábio general viveram e passaram suas vidas de acordo com suas boas e más ações. Após muitas existências eles renasceram na Índia cerca de 2.600 anos atrás, no tempo do Buda Shakyamuni.
Porisada renasceu como um jovem que foi estudar em Taxila, uma famosa universidade. Ele era um estudante tão brilhante que os demais estudantes tinham ciúmes dos elogios que o professor lhe fazia. Mentindo, disseram que Porisada e a esposa do professor estavam enamorados, e por isso o professor chegou a odiá-lo. Quando chegou o momento para o pagamento dos honorários do professor, como era costume ao término de um curso do estudo, o professor exigiu do jovem mil dedos humanos como pagamento. O jovem matou cem pessoas, coletando e contando seus dedos e assim ele tornou-se conhecido como Angulimala (grinalda de dedos).
O sábio general tornou-se o Venerável Sariputra, o discípulo chefe de Buda. O sacerdote tornou-se Venerável Ananda, o atendente pessoal de Buda, e a divindade árvore veio a ser Maha Kassapa, outro líder discípulo de Buda.
O virtuoso e sábio rei, Srutasoma, tornou-se depois o próprio Buda, e foi ele quem relatou esta história de vidas passadas em benefício das pessoas, quando elas maravilhavam-se ao ouvir da conversão do feroz ladrão Angulimala.
Portanto, em sua vida anterior, o Bodhisattva - o futuro Buda - sempre falou a verdade e manteve suas promessas fielmente. Desde o tempo de seu encontro com o Buda Dipankara, noventa e um aéons [1] atrás (tempo mais longo ainda do que o do começo desta história), o Bodhisattva jamais disse mentiras. Quando ele nasceu como Rei Srutasoma nunca sequer uma vez quebrou uma simples promessa.
Para pessoas muito boas como ele, quebrar uma promessa solene é como dizer uma mentira. Antes de prometer fazer algo, o Bodhisattva devia pensar cuidadosamente se podia ou não fazer o que disse, porém, uma vez dito, ele sempre mantinha sua promessa.
Naturalmente, se há uma muito boa razão pela qual não podemos fazer o que prometemos, neste caso não é errado. Podemos apresentar desculpas e explicar o porquê de não podermos fazer o que prometemos, e as boas pessoas irão nos perdoar.
Nota de Euro Oscar
[1] - aéon ou éon (do grego aion): - Período de tempo imensurável ou infinitamente longo. Cronologicamente é um período de tempo correspondente a 1 bilhão de anos. Dic. Aurélio - Séc. XXI e Dic. Brasileiro da Língua Portuguesa, da Mirador Internacional.
Fonte
www.maisbelashistoriasbudistas.com
As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro, a quem muito agradeço pela oportunidade de aqui compartilhar estas edificantes parábolas.
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