A Pedra Preciosa Escondida na Roupa - Parte 1 (de 2)

No capítulo oitavo ("Profecia da Iluminação de Quinhentos Discípulos") do Sutra de Lótus, Shakyamuni alerta seus discípulos para que não caiam no arrogante erro de acreditar que já se iluminaram, quando apenas atingiram conhecimentos e compreensão parcial da Verdade Essencial da Vida.

Ele contou então a parábola da "Gema Preciosa Escondida na Roupa", que está a seguir:

Uma pessoa visitou um de seus amigos. Foi recebido, na casa do amigo, com muita alegria e várias garrafas de vinho. Ficou, portanto, embriagado e caiu adormecido.

O amigo visitado tinha que sair para um urgente negócio oficial. Porém, antes de sair, costurou uma preciosa gema nas dobras das roupas de seu necessitado amigo. Contudo, como o homem estava pesadamente adormecido, não tinha ideia de que havia ganho a pedra preciosa. Quando despertou, o homem recomeçou a sua longa jornada, saindo da casa do amigo sem se despedir, pois este ainda não havia retornado de seus negócios.

Trabalhou duramente por seu alimento e roupa, porque não sabia a respeito da joia, e porque estava sempre pressionado pela sua subsistência. Um dia aconteceu de o homem encontrar-se novamente com o velho amigo, que ficou surpreso com a sua pobreza. O amigo, suspirando, disse para o homem pobre:

"Por que se tornou tão pobre? Certa vez, quando voce me visitou, costurei a mais preciosa de todas as minhas gemas nas dobras de sua roupa, de modo que voce pudesse viver uma vida confortável. Ainda deve tê-la. E mesmo assim tem levado essa vida miserável. Deve usar essa pedra preciosa para comprar o que necessitar. Então, pode ter tudo o que quiser."

Surpreso com as palavras do amigo, o homem apalpou a sua roupa. Tal como o amigo havia dito, a gema apareceu. Embora estivesse envergonhado pela sua própria ignorância, ficou também muito contente ao encontrar essa valiosa joia.

Após o relato dessa parábola, os quinhentos arhats compararam o Buda ao amigo que deu a inestimável gema.

Eles disseram:
"O Buda, em nossas existências anteriores, desde o remoto tempo passado, educou-nos e fez-nos aspirar à suprema sabedoria. Entretanto, tal como a pessoa que visitou o seu amigo embebedou-se e caiu adormecida, esquecemo-nos da verdadeira intenção do Buda, que é a de levar-nos à suprema sabedoria. Após isso, alcançamos o estado de arhat (Erudição) e, acreditando que tínhamos alcançado a iluminação, estávamos satisfeitos com a nossa compreensão superficial".


Próxima (parte 2)

Índice

 

Fonte

www.maisbelashistoriasbudistas.com
As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro, a quem muito agradeço pela oportunidade de aqui compartilhar estas edificantes parábolas.


Reedições

Novas revisões, adaptações e edições por Euro Oscar, autor deste site.

Pesquisar no site:


Home