Discursos de Sai Baba

Conheçam-se a si Mesmos! Então Conhecerão todas as Coisas

Data: 1/01/2009 – Ocasião: Dia de Ano Novo – Local: Prashanti Nilayam

O sol surge sereno e tranquilo.
Os dias se tornaram mais curtos, e uma brisa fresca está soprando.
Os campos estão maduros com safra dourada.
As calêndulas florescem como guirlandas de pérolas às margens dos rios.
Os agricultores estão alegres e cantando.
O doce festival de Sankranti chega ao mês de Pushya
Enchendo nossas casas com os grãos recém colhidos.
(Poema em télugo)


Encarnações do Amor Divino!

Esta é a época do festival de Sankranti1. Sankranti é um grande festival. É um dia no qual os agricultores levam para as suas casas os recém-colhidos grãos de todos os tipos de cereais e leguminosas comestíveis, necessários para a manutenção da família. Os agricultores, tendo concluído um frenético programa de colheita dos grãos e ficando livres das atividades agrícolas, usufruem da boa comida e do descanso em suas casas. Eles desfrutam do tempo livre, felizes com as suas famílias e amigos, entregam-se às diversões e brincadeiras. Convidam às suas casas os genros2 recém-casados e os presenteiam com roupas novas. A casa toda fica cheia de alegria. Nesse contexto, existe uma canção folclórica, em télugo, que descreve a atmosfera do festival nas aldeias:

Como Sankranti é o festival dos festivais,
Ó recém-casados, visitem a casa dos seus sogros,
Venham, passem o seu tempo com alegria e brincadeiras com seus cunhados.
Toda a família e os vizinhos os homenagearão com amor e afeição.

Antigamente, os meios de transporte não eram muito desenvolvidos. Os casais costumavam visitar os seus sogros a pé ou em carroças puxadas por bois. Portanto, toda aldeia costumava acolhê-los com muita afeição, respeitando e atendendo às suas necessidades. Eles costumavam ser alimentados com vários alimentos saborosos.

O festival de Sankranti também é uma ocasião em que os bois são enfeitados primorosamente e levados a várias casas da aldeia. Os bois são adorados e alimentados luxuosamente, como expressão de gratidão por todo o árduo trabalho que enfrentaram nos campos. Até mesmo as reses domésticas são alimentadas.

Um casamento simbólico é realizado entre uma parelha de bois que é chamada de Rama e Sita. Eles conduzem essa parelha pelas ruas, fazendo-a dançar, para o deleite de todos. Para a vaca chamada Sita é perguntado: “Rama é preto. Você gosta dele?” Sita balança a sua cabeça em desagrado. Então ela é aconselhada: “Por favor, não o recuse, Rama é poderoso. Ele é bonito e respeitável”. Então Sita acena coma cabeça em sinal de assentimento.

Um irmão mais velho, assistindo a essa bela exibição, convida o seu irmão mais novo para testemunhar esse casamento simbólico e para oferecer os presentes “ao casal”, então:

Oh! Meu querido irmão, aqui vem o Gangireddudasu3.
Venha, vamos vê-lo. Ele usa um medalhão de prata e um cinturão.
Ele carrega um bastão enfeitado e usa marcas especiais na testa.
Ele traz consigo o boi e a vaca sagrados ricamente paramentados e realiza o casamento deles.
Vamos ver a cerimônia do casamento e oferecer os nossos presentes.
(Canção em télugo)


Desse modo, o festival de Sankranti é celebrado nas aldeias, com muito fervor e diversão. Os festivais como os de Sankranti e Sivaratri têm por objetivo a contemplação e a compreensão da própria Divindade inata.

As pessoas dizem “Idi naa dahamu” (este é o meu corpo) de uma forma muito casual. Mas as pessoas versadas em sânscrito interpretam a expressão “naa dahamu” (meu corpo), de forma diferente. Elas explicam que “na” quer dizer “não”, baseados no significado literal e concluem que naa dahamu significa “eu não sou o corpo”. Da mesma forma, a expressão em télugo “naa manasu” (minha mente) pode ser interpretada como “eu não sou a mente”. O mesmo se dá com buddhi (o intelecto).

Resumindo, o conteúdo de todas essas expressões é: “Eu não sou o corpo, eu não sou a mente; eu não sou o intelecto, etc.”. Na mesma lógica, é preciso manter sempre um estado de perfeita equanimidade, não afetado pela dor ou pelo prazer, afirmando, “essas dores e dificuldades, tal como a felicidade e o prazer, não são minhas; eu estou além dessas dualidades”.

“É o meu corpo”, significa, “eu sou diferente do meu corpo”. Quando vocês se consideram como separados do seu corpo, por que deveriam sentir a dor do corpo se estão fora dele? A situação, entretanto, é que são incapazes de suportar a dor causada ao corpo. Portanto, vocês permanecem no nível do ser humano, somente. São incapazes de sair dessa ilusão do apego ao corpo. Enquanto permanecerem apegados ao corpo, esses sofrimentos e dificuldades, bem como a dor, os perseguirão. Todas essas coisas são feitas por vocês mesmos.

Suponhamos que fiquem com raiva. De onde vem essa raiva? Vem unicamente de vocês mesmos. Da mesma forma, o ciúme é uma qualidade que se manifesta a partir da sua mente. Assim, cada uma dessas más qualidades é o resultado dos seus próprios pensamentos. Portanto, se forem ao menos capazes de controlar adequadamente os seus pensamentos, vocês serão capazes de alcançar tudo na vida.

A mente, o intelecto e chitta (a mente subconsciente) são os reflexos de Atma. A mente não tem estabilidade. Ela é o repositório dos pensamentos e dos desejos. Manayeva manushyanam karanam baudha mokshyah (a mente é a causa fundamental da servidão ou da libertação). Portanto, é preciso manter a mente sob controle adequado, colocando certo limite nos desejos.

Tanto o corpo quanto a mente estão sujeitos constantemente a modificações. Entretanto, existe uma entidade interna que é imutável, que é o Atma. Ele não tem forma, mas tem nome: Atma. O Eu Interno e o Atma têm o mesmo significado.

O Atma também é chamado de Aham. É preciso não se confundir, nesse contexto, de que Aham seja Ahamkara (o ego), o qual se identifica com o corpo. Deus não tem nome nem forma e Ele é sempre designado como Brahman4. Se Deus revelasse a Sua verdadeira natureza, Ele diria, Aham Brahmasmi (Eu sou Brahma). O mesmo Brahma Tattwa (Princípio de Brahma) permeia todos os seres como Atma Tattwa (Princípio do Atma).

Nós dizemos que fulana é minha esposa, que sicrano é meu filho e beltrana é minha nora, etc.. Essas relações são todas ilusórias e físicas. Elas são adquiridas por nós e não concedidas por Deus. Da mesma forma, Deus não lhes confere prazer e sofrimento. Tudo é sua própria criação. Tudo resulta do seu apego ao corpo. Enquanto estiverem apegados ao corpo físico, vocês experimentarão apenas o sofrimento. Uma vez que o corpo físico é consignado às chamas, nada mais o afetará.

Atma, o Ser Interno, o Eu – são nomes diferentes dados ao mesmo princípio do Atma.

A identificação com o corpo físico é feita pelo indivíduo, daí resultando em Ahamkara (ego). É por isso que Jesus aconselhou superar o pequeno eu (ego), para se vir a ser o próprio Deus.

O seu próprio Ser Interno (Atma) dirige todas as suas atividades do interior. Esse Ser Interno não nasce nem morre, tal como Brahman não tem nascimento nem morte. Ele é eterno, verdadeiro e imutável. Devemos nos ligar a esse princípio permanente, e não aos objetos efêmeros que se modificam continuamente.

Suponhamos que vocês se casem com uma moça. Vocês a chamam de minha esposa. Antes do casamento quem era ela? Onde estavam vocês? Não havia absolutamente nenhuma relação entre ambos. Somente através do casamento é que se tornaram marido e esposa e adquiriram um relacionamento marital. A relação é adquirida por vocês. Deus não tem nada a ver com essas relações mundanas. Mesmo assim, Ele é a eterna testemunha de tudo que ocorre neste mundo.

Dhyana (meditação), japa (constante repetição do nome de Deus) ou yoga são ineficazes na realização do Atma Tattwa. Também são inúteis as nove formas de devoção, como sravanam (ouvir), kirtanam (cantar), Vishnusmaranam (meditar em Vishnu), padasevanam (servir Seus Pés de Lótus), vendanam (saudar), archanam (adoração), dasyam (servidão), sneham (amizade) e atma nivedanam (a entrega total). Essas são formas diferentes de sadhana (práticas espirituais) que nós mesmos assumimos. Não são um presente de Deus.

Quantos ascetas fazem severas penitências neste mundo? Quantas pessoas fazem japa constantemente? Até mesmo quando estão dormindo, o japamala (rosário de 108 contas) roda em suas mãos. Todos esses exercícios espirituais conferem moksha (libertação) a alguém? Jamais! Por isso é preciso meditar constantemente no Atma Tattwa (Princípio do Atma).

Se alguém lhes perguntar quem vocês são, devem estar aptos a responder “eu sou Deus”, com toda a fé e confiança de que dispõem. O Atma Swarupa (natureza essencial) em todos os seres humanos é único e o mesmo. É eterno e imutável.

Eu lhes falei várias vezes sobre a história de Alexandre, o Grande. Apesar de haver conquistado grandes regiões do mundo, ele não pôde levar nem uma fração das riquezas que acumulou. Ele teve de deixar este mundo de mãos vazias. Para demonstrar essa verdade ao mundo, ele instruiu seus ministros a conduzirem o seu corpo em procissão pelas ruas da Capital, mantendo ambas as mãos erguidas, apontando para o céu.

Quando os ministros ficaram curiosos para saber a razão dessa estranha ordem de seu Imperador, Alexandre respondeu: “Eu conquistei vários países e acumulei grande fortuna. Há um grande exército sob meu controle. Todavia, ninguém me acompanhará quando eu deixar este corpo mortal. Eu irei de mãos vazias. Essa verdade deverá ser demonstrada a todo o povo.”

Nós podemos adquirir muitas riquezas e depositá-las em bancos ou fazer empréstimos a juros. Entretanto, não podemos levar sequer um punhado de terra conosco, quando deixarmos o nosso corpo. Nada deste mundo irá conosco. Estamos inutilmente nos empenhando e planejando vários esquemas, pensando constantemente neles, dia e noite. Apesar de todos os nossos esforços, o que deve sair das nossas mãos, sairá.

“O corpo é como uma bolha de água. A mente é como um macaco louco”. Se vocês seguirem esse macaco louco, terão dificuldades. Por outro lado, se acreditarem no corpo, não saberão quando este corpo, que é como uma bolha de água, irá romper-se. Nada é permanente. Somente o Atma (o Ser Interno) é eterno e imortal. Isto é Deus.

“Eu”, “Ser Interno”, “Deus” são nomes diferentes pelos quais designamos a Divindade. O Atma que é chamado de Ser Interno, EU, assume diferentes nomes e formas.

Deus encarnou como Rama, Krishna, etc. Rama enfrentou diversas dificuldades e demonstrou grandes ideais. Krishna demonstrou vários lilas (Jogos Divinos) e atraiu muitas pessoas. Finalmente, Ele deixou seu envoltório mortal. Os corpos físic os dos Avatares sofrem modificações, mas o Divino Atma em seus corpos permanece o mesmo. O Atma é onipresente.

Entretanto, com o objetivo de atingir Atma Jnana (Sabedoria do Atma), as suas resoluções devem ser puras. Vocês devem meditar, constantemente, no Divino Atma.

Os seus pensamentos e ações podem mudar os métodos de seu japa (repetição de mantras), tapa (austeridade) e yoga (prática espiritual), mas a Divindade não sofrerá qualquer modificação. Essa é a razão pela qual a Divindade tem sido descrita como nirgunam, niranjanam, sanathana niketanam, nitya, shuddha buddha, mukta, nirmala swarupinam5.

As pessoas rezam, “Ó Deus! Conceda-me o seu Divino Darshan6.” Mesmo que Ele lhes conceda a Sua visão Divina, ela é só momentânea. Ela vem e vai como um lampejo. De fato, Deus está todo imanente em seu próprio coração. Ele ouve todas as suas preces.

Mesmo quando o seu corpo físico cessa de existir, o Atma permanece. Esse Átma (o Ser Interno) é eterno. Ele assume formas diferentes. Nós testemunhamos vários objetos neste universo, como as estrelas, a lua, etc. Apesar de parecerem estáticos, eles também sofrem mudanças. Unicamente a Divindade, que está na base de tudo isso, permanece imutável e eterna.

Deve-se sempre manter a pureza. Na verdade, este país de Bharat7 granjeou grande renome e fama pela pureza e caráter:

Este país de Bharat deu luz a muitas mulheres nobres, como
Savitri, que trouxe seu marido morto de volta à vida,
Chandramati, que extinguiu o fogo selvagem com o poder da verdade;
Sita, que provou sua castidade saindo ilesa das chamas, e
Damayati, que reduziu a cinzas um mal intencionado caçador, com o poder de sua castidade.
Este país piedoso e nobre atingiu abundância e prosperidade, e
Tornou-se mestre de todas as nações do mundo, devido a essas mulheres castas.
(Poema em télugo)

O bom caráter é essencial não só para as mulheres, mas para os homens também! Se uma pessoa tiver ao menos caráter, poderão chamá-la de homem ou mulher virtuosa. Hoje em dia, vemos rapazes e moças muito íntimos, comportando-se como se fossem marido e mulher. Mas por quanto tempo? Só por um curto período. Depois, a situação muda. Uma vez casados, o rapaz quer ir a algum lugar e a moça a outro. Entretanto, definitivamente não haverá mudanças na natureza Divina.

É costume a troca de anéis de diamantes entre o rapaz e a moça quando se casam. O anel de diamante, que é um objeto impermanente, é símbolo de Divindade, que é imutável e sempre acessível às pessoas. Devemos salvaguardar o nosso caráter como um diamante. No estrangeiro, as pessoas também têm o costume de trocar anéis de diamantes por ocasião do casamento. Assim, há um significado em cada hábito e tradição, não só na Índia, mas também em todos os países.

Como Eu já mencionei antes, vocês dizem que este é o “meu corpo” (naa dahamu). Aqui “naa” se refere ao Eu em télugo. Mas em sânscrito, “naa” quer dizer “não”. Portanto, significa “eu não sou o corpo”. Assim, há muitos significados para cada expressão.

Deus é descrito como "Sahasra seersha Purushah sahasraksha sahasra paad” (o Ser Cósmico tem milhares de cabeças, olhos e pés). Vocês têm somente uma cabeça, enquanto Deus tem milhares de cabeças. O que isso significa? Todas as cabeças, em toda a criação, são Dele!

Da mesma maneira, não é correto dizer que Swami viu mil luas cheias. Sahasra chandra darshan. Eu não só vi milhares de luas cheias, mas milhões e milhões de luas cheias. Como declaram os Vedas, chandrama manaso jathah (a lua é a deidade que preside a nossa mente). Cada um de vocês tem uma mente. Eu vi todas as suas mentes. Eu vi a mente de milhões de pessoas em todo o mundo. Desse modo, isso significa ver não só mil, mas milhões e milhões de luas.

Os rapazes cantaram uma canção, “Neeku maaku unnadi oke bandhamu, ade premabadhamu8 (é o laço de amor que nos une a Você), há alguns minutos atrás. Certifiquem-se de que esse laço de amor dure para sempre.

Externamente, podemos mostrar várias qualidades, mas os pensamentos internos ou valores são apenas cinco: Sathya (Verdade), Dharma (Retidão), Santhi (Paz), Prema (Amor) e Ahimsa (Não-Violência). Essas são qualidades inatas, não impostas de fora. Não podem ser adquiridas em alguma loja. Elas são profundamente arraigadas ao âmago da nossa personalidade. O nosso dever é manifestar essas qualidades e refleti-las em nossa vida diária. Isso é “Educare”. Por outro lado, educação significa adquirir conhecimento relativo ao mundo físico e secular.

A Verdade é eterna. Ela deve manifestar-se do interior. O mesmo acontece com dharma (retidão). Dizemos Dharmamoolam idam jagath. Em realidade é Sathyamoolam idam jagath. A Verdade é retidão. Todos os outros valores estão contidos e são originários da Verdade.

O amor é outra qualidade inata nos seres humanos. Deve ser demonstrado e partilhado com todos. Onde há amor, não pode haver ódio. O amor se transforma em não-violência. Uma pessoa plena de amor não admite qualquer tipo de violência. Quando não existe amor, as pessoas prejudicam umas às outras.

Da Verdade emerge a retidão. Quando essas duas qualidades andam juntas, o resultado é a paz. A paz se manifesta como comportamento calmo e sereno. Uma pessoa nessa condição diz: “eu sou pacífica”. Algumas pessoas quando indagadas sobre o propósito de seu sadhana9 respondem: “para alcançar a paz mental”. Mas onde está a paz? Há somente “pás”10 no mundo externo.

A mãe ama o seu filho. Seja qual for a circunstância, ela não o desampara, mesmo quando provocada para zangar-se. O amor afasta a raiva. Se a Não-Violência reinar soberana no mundo, a qualidade do amor deve ser cultivada por todos.

Não é suficiente amar-se a si mesmo. Vocês devem amar os seus vizinhos também. Precisam desenvolver o sentimento de que todos lhes pertencem e que o mesmo Átma reside como habitante interno em todos.

Por exemplo, há só uma lua no céu. A mesma lua é refletida em mil potes. Vocês verão a lua refletida em cada um dos potes separadamente. Vocês podem dizer que há mil luas? Não! Da mesma maneira, não há sóis, separadamente, em diferentes países, como na Índia, Estados Unidos e Japão. Apenas um sol ilumina o mundo inteiro.

Contudo, o momento em que o sol nasce em várias partes do mundo é diferente. Agora, são 18:00 horas para nós, enquanto são 6:00 horas nos Estados Unidos. No Japão é meio dia. Com base nessa diferença horária não se pode dizer que há mais de um sol no céu. Apenas um sol ilumina o mundo inteiro.

Da mesma forma, apenas um Deus reside como habitante interno em todas as pessoas. Cada uma O adora do seu jeito, usando um nome e forma particular para a Divindade.

Várias pessoas estão tentando confirmar comigo o local de nascimento do Senhor Rama. Durante os últimos anos, várias pessoas têm se aproximado de Mim e suplicado: “Swami! Por favor, onde exatamente Rama nasceu?” Eu lhes respondo, “Rama nasceu do útero da mãe Kausalya”.

Na verdade, vocês buscam por si mesmos no mundo externo? Não! A sua verdadeira natureza só se encontra em vocês mesmos. Vocês são somente vocês. Da mesma forma é fútil procurar por Deus, perguntando, “Onde posso encontrar Deus?” Deus é onipresente. Sarvatah Panipadam tat sarvathkshi sirimukam, sarvatah Sruthimalloke sarvamavruthya tishthati. Com mãos, pés, olhos, boca e orelhas, permeando tudo, Ele permeia todo o universo. Portanto, não tem sentido perguntar “Onde está Deus?”.

Tentem, em primeiro lugar, conhecer a si mesmos. Depois, conhecerão todas as coisas. Infelizmente, hoje em dia, as pessoas estão tentando saber sobre todas as coisas do mundo externo, sem antes conhecerem a si mesmas. Nenhum propósito será útil através desse tipo de exercício. “Conheça-se a si mesmo! Então conhecerá todas as coisas!”

Lembrem-se, “Eu sou a encarnação do Divino Atma, o Atma é imanente em mim.”

As pessoas, frequentemente, dizem, “isso é meu... isso é meu...” Mas onde está esse “meu”? A quem se refere? O sentimento de “meu” é maya (ilusão). Entretanto, as pessoas não fazem qualquer esforço para compreender isso.

Já que você é um indivíduo, você diz, “meu”... Mas Deus não está limitado a um nome ou forma particular. Ele é o princípio do Eu que permeia tudo. Vários nomes e formas Lhe são atribuídos, mas Ele é somente um e o mesmo! Ekam sath viprah bahudha vadanthi (a Verdade é uma, mas os sábios a designam de formas diferentes). As expressões diferentes como “Eu”, “Eu sou Deus”, “Eu sou Brahma”, “Eu sou Vishnu”, etc. se referem a um único Deus.

Infelizmente, hoje em dia, as pessoas estão “fracionando” o “Divino”. Vocês devem considerar a Divindade como uma unidade. Não façam diferença entre as pessoas dizendo, esse homem é meu irmão, essa pessoa é meu genro, etc. Todos são somente irmãos. Quando considerarem todas as pessoas como seus irmãos, onde ficará o sentimento de diferença entre os indivíduos? A espiritualidade ensina exatamente esse sentimento de unidade entre os seres humanos.

As pessoas dizem que poderiam realizar Deus, fazendo japa, dhyana e outras formas de sadhana (práticas espirituais). Mas quando e onde? Como? Eles não são capazes de ver sequer a pessoa parada em sua frente quando fecham os olhos. Como então poderiam ver Deus em meditação? Todos estes sadhanas têm por objetivo controlar a mente.

A mente é muito instável. Ela sempre é afetada por impulsos. Como então poderão controlar uma mente tão instável? Não é possível. A mente só pode ser controlada por um meio: pela constante contemplação em Deus.

Muitas vezes observamos pessoas mudando frequentemente o nome e a forma de Deus para a contemplação. Um dia contemplam em Rama, no dia seguinte em Krishna e ainda em outro dia em Venkateswara, etc. O controle da mente não é possível com tal tipo de contemplação. Se vocês considerarem Rama como o Deus de sua preferência, então se fixem nesse nome e forma até o seu último suspiro. Então, certamente, vocês terão Sankshathka (visão) de Rama.

Grandes pintores, como Ravi Varma, retrataram Rama numa forma particular, mas Rama e Krishna não estão limitados unicamente a essas formas. Em realidade, Deus não tem uma forma particular. Ele assume uma determinada forma, num dado momento, para a segurança dos devotos. Depois disso, inclusive aquela forma desaparece.

Vários desenhos e pinturas de Deus numa forma particular são vendidos no comércio. Eles são feitos por pintores como Ravi Varma. Ravi Varma viu realmente Rama ou Krishna? Não. Ele somente ouviu histórias sobre Rama e Krishna e pintou as suas formas, baseado em sua imaginação. Esses desenhos e pinturas apenas fazem vocês se lembrarem da Divindade. Nem Ravi Varma ou qualquer outra pessoa realmente viu Deus.

Vocês realmente são Deus! Não pensem que Deus está em algum lugar distante. Vocês mesmos são Deus. Desenvolvam essa confiança. Entretanto, quando se considerarem como Deus, deverão desenvolver qualidades divinas. Só então terão o direito de se considerarem como Deus.

Uma vez que ninguém, jamais, explicou a natureza da Divindade dessa maneira, as pessoas têm caído em teorias dogmáticas. Deus é imanente em cada ser humano, ou melhor, em todos os seres vivos. Não há lugar onde Deus não esteja presente. Para onde quer que vocês olhem, Deus está presente ali. Na verdade, vocês não precisam vir aqui para ver Deus. Ele está muito mais presente no lugar em que vocês residem. Sem compreender essa verdade, as pessoas gastam grandes somas de dinheiro e fazem peregrinações. Não é isso o que devem fazer.

Desenvolvam em si a qualidade do amor e dividam-na com todos. Assim, todas as pessoas podem unificarse. Todas são um, ajam da mesma forma com todos. Nenhum ser humano pode viver sem amor. Só é possível viver com amor. Portanto, desenvolvam uma natureza amorosa. Quando voltarem para casa, fechem os seus olhos e contemplem em Deus. Estejam certos de encontrá-lo em seu próprio coração. Quando abrirem os olhos para o mundo externo, vocês verão tudo e todos.

Com que propósito vocês pensam que foram dotados de olhos? É somente para ver Deus.

Quando forem a um médico com queixas sobre algum problema em seu corpo, ele fará um raio-X do seu coração, do fígado, rins, etc. e decidirá sobre o tipo de doença que vocês estão sofrendo. A espiritualidade é como uma radiografia que revelará a sua verdadeira natureza.

Instalem a forma de Deus em seu coração e a contemplem incessantemente. Jamais mudem essa forma por nenhuma razão. Estejam certos de compreender Deus. Não é necessário procurá-Lo em outro lugar. Se desejarem ver Swami, coloquem a forma de Swami no altar dos seus corações. Vocês certamente poderão ver Swami ali. Se desenvolverem um sentimento de unidade com Ele, tudo se tornará positivo para vocês. Isso é o que deve ser compreendido hoje.

Os festivais vêm e vão. Domingo, segunda-feira, terça-feira – os dias se seguem. O sábado precede o domingo. Mas Deus jamais mudará. Ele é eterno. Compreendam essa verdade.


Notas

1 - Festival de Sankranti é o dia em que o Deus Sol inicia seu domínio e sua jornada ao hemisfério norte, entrando no signo de Capricórnio ou Makara. Celebra o fim da colheita no sul da Índia. Um puja especial é oferecido como ação de graças pela boa colheita. É um dos dias mais auspiciosos para os hindus. É o único festival hindu baseado ao mesmo tempo no calendário Solar e Lunar. No Ashram, o festival coincide com o encerramento do Encontro Cultural e Esportivo Anual das instituições educacionais de Baba.

2 - Os rapazes recém-casados, acompanhados de suas respectivas esposas, na Índia, tinham esse costume de visitar a casa dos sogros. Eles eram convidados para compartilhar a felicidade e, nesses festivos dias, especiais como Sankranthi e Dipaavali, são honrados e agraciados com roupas novas e outros tipos de presentes valiosos de acordo com a possibilidade financeira da família. Isso geralmente acontece no primeiro ano após casamento. Quando os casamentos aconteciam para as moças ainda menores (entre 10 a 15 anos da idade) ou mesmo antes de a moça entrar na puberdade elas permaneciam na casa dos pais até alcançar a mocidade. Então, os pais da moça convidavam o genro para passar na casa deles nesses dias de festivais e era também oportunidade de filha e genro terem mais proximidade um com outro.

3 - O homem que adestra e enfeita os animais (bois e vacas) no festival de Sankranti. Gangireddu (o boi sagrado e manso). Dasu (servo; pessoa que toma conta e cuida. No contexto, adestrador).

4 - Brahman e Brahma: Brahma é uma das entidades da trindade Hindu. Ele é o criador e designa o karma de cada pessoa de acordo com os seus atos das outras vidas. Também ele foi criado, como todo o resto do Universo, pelo Divino-Absoluto que é BRAHMAN. Como Brahma foi criado, também terá fim. Brahma não é Eterno. Do mesmo modo, o Deus Vishnu (o mantenedor) e Maheswara ou Shiva (o destruidor ou transformador) terão fim, já que eles também foram criados pelo Divino absoluto que é Brahman. Quando este Universo entrar em dissolução, todos eles se fundirão em Brahman, a entidade divina-absoluta que não tem forma nem nome, a Suprema Energia Divina.

5 - Nirmala Swarupinam: A Forma – encarnação imaculada livre de qualquer tipo de sujeira ou mácula espiritual, absolutamente pura, sem atributos, morada final, eterno, iluminado e livre.

6 - É a bênção que flui para os discípulos com a simples contemplação do Guru, do Mestre. Também é traduzido como visão. Em termos gerais, é a Visão do Divino. Quando um católico vai à Igreja e contempla o altar, está tendo um darshan das imagens divinas ali representadas.

7 - A Índia. Bharat é o nome verdadeiro e original da Índia, nome adquirido em homenagem a um Imperador muito antigo, dos primórdios da história da Índia. O nome Índia foi dado por estrangeiros ocidentais que a colonizaram.

8 - "Neeku maaku unnadi oke bandhamu, ade prema bandhamu". No texto em inglês foi traduzida só a segunda parte da frase e também traduzida em português do mesmo jeito. Completo seria “Existe somente um único laço entre nós e VOCÊ, esse é o LAÇO DO AMOR".

9 - Disciplina espiritual.

10 - No original em inglês, Swami faz um jogo de palavras entre peace (paz) e pieces (pedaços), que têm o mesmo som e significado totalmente diferentes. O similar em português seria paz e pás.



Tradução e revisão da Coordenação de Publicação
Conselho Central do Brasil



Índice dos Discursos

Setor sendo ampliado


Fonte

Organização Sri Sathya Sai do Brasil.
https://www.sathyasai.org.br


Agradecimento

Muito grato à equipe do site da Organização Sri Sathya Sai do Brasil, por ter atendido dois pedidos meus, via mensagens de e-mail, em agosto de 2007: o primeiro deles para utilizar os materiais do seu site; e o outro me consentindo a conversão dos PDFs com os discursos para páginas HTML, para uso neste site.



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