A História de Sessen Doji - Parte 3 (de 4)
Sessen Doji respondeu: "Este meu corpo é imortal. Porém se eu, em devoção à Lei, deixar este corpo vil, que iria de outra forma morrer em vão, certamente poderei atingir a iluminação na próxima existência e tornar-me um Buda. Minha vida será imaculada. Será como abandonar potes de cerâmica e receber um vaso feito de predas preciosas. Apelo a Bonten e Taishaku, aos Quatro Reis Celestes, assim como a todos os Budas e bodhisattvas das dez direções, para testemunho. Eu não posso enganá-lo diante deles".
Um pouco mais calmo, o demônio disse: "Se o que afirma é verdade, eu lhe ensinarei o restante". Eufórico, Sessen Doji tirou seu manto de pele e estendeu-o para que o demônio sentasse sobre ele enquanto ensinava. E então Sessen Doji ajoelhou-se, baixou sua cabeça ao solo e juntou as mãos em oração "Tudo que lhe peço é que me ensine o resto do verso". Ele ofereceu seu respeito cordial ao demônio que, sentado sobre a pele, revelou:
"Extinguindo os sofrimentos do nascimento e da morte, a pessoa entra no Nirvana. Essa é a verdadeira felicidade".
Tendo ouvido isso, Sessen Doji estava exultante. Seu louvor ao verso era infinito e sem limites. Decidido a lembrar-se dele mesmo na existência seguinte, repetiu-o muitas e muitas vezes, e gravou-o no fundo do coração.
Pensou profundamente: "Alegro-me com o fato deste verso (embora proveniente de um demônio) não ser diferente do ensino do Buda. Porém, lamento ter ouvido sozinho e não poder transmitir aos outros". Ele inscreveu a estrofe em pedras, nas faces dos rochedos e em todas as árvores da estrada, e orou para que todos os que passassem mais tarde o vissem, compreendessem o seu significado e entrassem finalmente no verdadeiro caminho. E então, subiu numa árvore alta e atirou-se ao demônio.
Porém, antes de chegar ao chão, o demônio voltou à forma de Taishaku, segurou Sessen Doji e colocou-o devagar no chão. Adorando-o respeitosamente, Taishaku disse: "Para prová-lo, ocultei por instantes o sagrado ensino do Buda, provocando angústia no coração de um bodhisattva. Oro para que me perdoe deste pecado e salve-me sem falha na próxima existência".
Fonte
www.maisbelashistoriasbudistas.com
As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro, a quem muito agradeço pela oportunidade de aqui compartilhar estas edificantes parábolas.
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