Machado de Assis - 14



A Melhor das noivas - parte 2



Literatura brasileira


(A divulgação neste site tem objetivo educacional)





João Barbosa era homem digno de apreço; não fazia as coisas por metade. Quis arranjar as coisas de modo que os dois sobrinhos nada tivessem do que ele deixasse quando viesse a morrer, se tal desastre tinha de acontecer — coisa de que o velho não estava muito convencido.


Tal era a situação.


João Barbosa fez a visita costumada à interessante noiva. Era matinal demais; D. Lucinda, porém, não podia dizer nada que viesse a desagradar a um homem que tão galhardamente se mostrava com ela.


A visita nunca ia além de duas horas; era passada em coisas insignificantes, entremeada de suspiros do noivo, e muita faceirice dela.


— O que me estava reservado nestas alturas! dizia João Barbosa ao sair de lá.


Naquele dia, logo que ele saiu de casa, D. Joana tratou de examinar friamente a situação.
Não podia haver pior para ela. Era claro que, embora João Barbosa não a despedisse logo, seria compelido a fazê-lo pela mulher nos primeiros dias do casamento, ou talvez antes. Por outro lado, desde que ele devesse carinhos a alguém mais que não a ela somente, sua gratidão viria a diminuir muito, e com a gratidão o legado provável.
Era preciso achar um remédio.
Qual?
Nisso gastou D. Joana toda a manhã sem achar solução nenhuma, ao menos solução que prestasse. Pensou em várias coisas, todas impraticáveis ou arriscadas e terríveis para ela.


Quando João Barbosa voltou para casa, às três horas da tarde, achou-a triste e calada. Indagou o que era; ela respondeu com algumas palavras soltas, mas sem clareza, de maneira que ele ficaria na mesma, se não tivesse havido a cena da manhã.


— Já lhe disse, D. Joana, que a senhora não perde nada com a minha nova situação. O lugar pertence-lhe.


O olhar de dignidade ofendida que ela lhe lançou foi tal que ele não achou nenhuma réplica. Entre si fez um elogio à caseira.


— Tem-me afeição, coitada! é uma alma dotada de muita elevação.


D. Joana não o serviu com menos carinho nesse e no dia seguinte; era a mesma pontualidade e solicitude. A tristeza porém era também a mesma e isto desconsolava sobremodo o noivo de D. Lucinda, cujo principal desejo era fazê-las felizes ambas. O sobrinho José, que tivera o bom gosto de cortar os laços que o prendiam ao outro, desde que viu serem inúteis os esforços para separar D. Joana de casa, não deixava de ali ir a miúdo tomar a bênção ao tio e receber alguma coisa de quando em quando.
Acertou de ir alguns dias depois da revelação de João Barbosa. Não o achou em casa, mas D. Joana estava, e ele em tais circunstâncias não deixava de se demorar a louvar o tio, na esperança de que alguma coisa chegasse aos ouvidos deste. Naquele dia notou que D. Joana não tinha a alegria do costume.
Interrogada por ele, D. Joana respondeu:


— Não é nada...


— Alguma coisa há de ser, dar-se-á caso que...


— Que?...


— Que meu tio esteja doente?


— Antes fosse isso!


— Que ouço?


D. Joana mostrou-se arrependida do que dissera e metade do arrependimento era sincero, metade fingido. Não tinha grande certeza da discrição do rapaz; mas via bem para que lado iam seus interesses. José tanto insistiu em saber do que se tratava que ela não hesitou em dizer-lhe tudo, debaixo de palavra de honra e no mais inviolável segredo.


— Ora veja, concluiu ela, se ao saber que essa senhora trata de enganar o nosso bom amigo para haver-lhe a fortuna...


— Não diga mais, D. Joana! interrompeu José fulo de cólera.


— Que vai fazer?


— Verei, verei...


— Oh! não me comprometa!


— Já lhe disse que não; saberei desfazer a trama da viúva. Ela veio aqui alguma vez?


— Não, mas consta-me que há de vir domingo jantar.


— Virei também.


— Pelo amor de Deus...


— Descanse!


José via o perigo tanto como D. Joana; só não viu que ela lhe contara tudo, para havê-lo de seu lado e fazê-lo trabalhar por desfazer um laço quase feito. O medo dá às vezes coragem, e um dos maiores medos do mundo é o de perder uma herança. José sentiu-se resoluto a empregar todos os esforços para obstar o casamento do tio.


D. Lucinda foi efetivamente jantar em casa de João Barbosa. Este não cabia em si de contente desde que se levantou. Quando D. Joana foi levar-lhe o café do costume, ele desfez-se em elogios à noiva.


— A senhora vai vê-la, D. Joana, vai ver o que é uma pessoa digna de todos os respeitos e merecedora de uma afeição nobre e profunda.


— Quer mais açúcar?


— Não. Que graça! que maneiras, que coração! Não imagina que tesouro é aquela mulher! Confesso que estava longe de suspeitar tão raro conjunto de dotes morais.
Imagine...


— Olhe que o café esfria...


— Não faz mal. Imagine...


— Creio que há gente de fora. Vou ver.


D. Joana saiu; João Barbosa ficou pensativo.


— Coitada! A idéia de que vai perder a minha estima não a deixa um só instante. In petto não aprova talvez este casamento, mas não se atreveria nunca a dizê-lo. É uma alma extremamente elevada!


D. Lucinda apareceu perto das quatro horas. Ia luxuosamente vestida, graças a algumas dívidas feitas à conta dos futuros cabedais. A vantagem daquilo era não parecer que João Barbosa a tirava do nada.


Passou-se o jantar sem incidente nenhum; pouco depois de oito horas, D. Lucinda retirouse deixando encantado o noivo. D. Joana, se não fossem as circunstâncias apontadas, devia ficar igualmente namorada da viúva, que a tratou com uma bondade, uma distinção verdadeiramente adoráveis. Era talvez cálculo; D. Lucinda queria ter por si todos os votos, e sabia que o da boa velha tinha alguma consideração.


Entretanto, o sobrinho de João Barbosa, que também ali jantara, apenas a noiva do tio se retirou para casa foi ter com ele.


— Meu tio, disse José, reparei hoje uma coisa.


— Que foi?


— Reparei que se o senhor não tiver conta em si é capaz de ser embaçado.


— Embaçado?


— Nada menos.


— Explica-te.


— Dou-lhe notícia de que a senhora que hoje aqui esteve tem idéias a seu respeito.


— Idéias? Explica-te mais claramente.


— Pretende desposá-lo.


— E então?


— Então, é que o senhor é o quinto ricaço, a quem ela lança, a rede. Os primeiros quatro perceberam a tempo o sentimento de especulação pura, e não caíram. Eu previno-o disso, para que não se deixar levar pelo conto da sereia, e se ela lhe falar em alguma coisa...


João Barbosa que já estava vermelho de cólera, não se pôde conter; cortou-lhe a palavra intimando-o a que saísse. O rapaz disse que obedecia, mas não interrompeu as reflexões: inventou o que pôde, deitou cores sombrias ao quadro, de maneira que saiu deixando o veneno no coração do pobre velho.


Era difícil que algumas palavras tivessem o condão de desviar o namorado do plano que assentara; mas é certo que foi esse o ponto de partida de uma longa hesitação. João Barbosa vociferou contra o sobrinho, mas, passado o primeiro acesso, refletiu um pouco no que lhe acabava de ouvir e concluiu que seria realmente triste, se ele tivesse razão. — Felizmente, é um caluniador! concluiu ele.


D. Joana soube da conversa havida entre João Barbosa e o sobrinho, e aprovou a idéia deste; era necessário voltar à carga; e José não se descuidou disso.


João Barbosa confiou à caseira as perplexidades que o sobrinho buscava lançar em seu coração.


— Acho que ele tem razão, disse ela.


— Também tu?


— Também eu, e se o digo é porque o posso dizer, visto que desde hoje estou desligada desta casa.


D. Joana disse isto levando o lenço aos olhos, o que partiu o coração de João Barbosa em mil pedaços; tratou de a consolar e inquiriu a causa de semelhante resolução. D. Joana recusou explicar; afinal estas palavras saíram de sua boca trêmula e comovida:


— É que... também eu tenho coração!


Dizer isto e fugir foi a mesma coisa. João Barbosa ficou a olhar para o ar, depois dirigiu os olhos a um espelho, perguntando-lhe se efetivamente não era explicável aquela declaração.


Era.
João Barbosa mandou-a chamar. Veio D. Joana e arrependida de ter ido tão longe, tratou de explicar o que acabava de dizer. A explicação era fácil; repetiu que tinha coração, como o sobrinho de João Barbosa, e não podia, como o outro, vê-lo entregar-se a uma aventureira.


— Era isso?


— É duro de o dizer, mas cumpri o que devia; compreendo porém que não posso continuar nesta casa.


João Barbosa procurou apaziguar-lhe os escrúpulos; e D. Joana deixou-se vencer, ficando.
Entretanto, o noivo sentia-se um tanto perplexo e triste. Cogitou, murmurou, vestiu-se e saiu.
Na primeira ocasião em que se encontrou com D. Lucinda, esta, vendo-o triste, perguntou-lhe se eram incômodos domésticos.


— Talvez, resmungou ele.


— Adivinho.


— Sim?


— Alguma que lhe fez a caseira que o senhor lá tem?


— Por que supõe isso?


D. Lucinda não respondeu logo; João Barbosa insistiu.


— Não simpatizo com aquela cara.


— Pois não é má mulher.


— De aparência, talvez.


— Parece-lhe então...


— Nada; digo que bem pode ser alguma intrigante...


— Oh!


— Mera suposição.


— Se a conhecesse havia de lhe fazer justiça.


João Barbosa não recebeu impunemente esta alfinetada. Se efetivamente D. Joana não passasse de uma intrigante? Era difícil supô-lo ao ver a cara com que ela o recebeu na volta. Não a podia haver mais afetuosa. Contudo, João Barbosa pôs-se em guarda; convém dizer, em honra de seus afetos domésticos, que não o fez sem tristeza e amargura.


— Que tem o senhor que está tão macambúzio? perguntou D. Joana com a mais doce voz que possuía.


— Nada, D. Joana.


E daí a pouco:


— Diga-me; seja franca. Alguém a incumbiu de me dizer aquilo a respeito da senhora que...


D. Joana tremeu de indignação.


— Pois imagina que eu seria capaz de fazer-me instrumento... Oh! é demais!


O lenço correu aos olhos e provavelmente encheu-se de lágrimas. João Barbosa não podia ver chorar uma mulher que o servia tão bem há tanto tempo. Consolou-a como pôde, mas o golpe (dizia ela) fora profundo. Isto foi dito tão de dentro, e com tão amarga voz, que João Barbosa não pôde esquivar-se a esta reflexão.


— Esta mulher ama-me!


Desde que, pela segunda vez, se lhe metia esta suspeita pelos olhos, seus sentimentos em relação a D. Joana eram de compaixão e simpatia. Ninguém pode odiar a pessoa que o ama silenciosamente e sem esperança. O bom velho sentia-se lisonjeado da vegetação amorosa que seus olhos faziam brotar dos corações.


Daí em diante começou uma luta entre as duas mulheres de que eram campo e objeto o coração de João Barbosa. Uma tratava de demolir a influência da outra; os dois interesses esgrimiam com todas as armas que tinham à mão.


João Barbosa era um joguete entre ambas — uma espécie de bola de borracha que uma atirava às mãos da outra, e que esta de novo lançava às da primeira. Quando estava com Lucinda suspeitava de Joana; quando com Joana suspeitava de Lucinda. Seu espírito, debilitado pelos anos, não tinha consistência nem direção; uma palavra o dirigia ao sul, outra o encaminhava ao norte.


A esta situação, já de si complicada, vieram juntar-se algumas circunstâncias desfavoráveis a D. Lucinda. O sobrinho José não cessava as suas insinuações; ao mesmo tempo os parentes da interessante viúva entraram a rodear o velho, com tal sofreguidão, que, apesar de sua boa vontade, este desconfiou seriamente das intenções da noiva. Nisto sobreveio um ataque de reumatismo. Obrigado a não sair de casa, era a D. Joana que cabia desta vez exclusivamente a direção do espírito de João Barbosa. D. Lucinda foi visitá-lo algumas vezes; mas o papel principal não era seu.


A caseira não se poupou a esforços para readquirir a antiga influência; o velho ricaço saboreou de novo as delícias da dedicação de outro tempo. Ela o tratava, amimava e conversava; lia-lhe os jornais, contava-lhe a vida dos vizinhos entremeada de velhas anedotas adequadas à narração. A distância e a ausência eram dois dissolventes poderosos do amor decrépito de João Barbosa.


Logo que ele melhorou um pouco foi à casa de D. Lucinda. A viúva o recebeu com polidez, mas sem a solicitude a que o acostumara. Sucedendo a mesma coisa outra vez, João Barbosa sentiu que, pela sua parte, também o primitivo afeto esfriara um pouco. D. Lucinda contava aguçar-lhe o afeto e o desejo mostrando-se fria e reservada; sucedeu o contrário. Quando quis resgatar o que perdera, era um pouco tarde; contudo não desanimou.


Entretanto, João Barbosa voltara à casa, onde a figura de D. Joana lhe pareceu a mais ideal de todas as esposas.


— Como é que não me lembrei há mais tempo de casar com esta mulher? pensou ele. Não fez a pergunta em voz alta; mas D. Joana pressentiu num olhar de João Barbosa que aquela idéia alvorecia em seu generoso espírito.


João Barbosa voltou a concentrar-se em casa. D. Lucinda, após os primeiros dias, derramou o coração em longas cartas que eram pontualmente entregues em casa de João Barbosa, e que este lia em presença de D. Joana, posto fosse em voz baixa. João Barbosa, logo à segunda, quis ir reatar o vínculo roto; mas o outro vínculo que o prendia à caseira era já forte e a idéia foi posta de lado. D. Joana achou enfim meio de subtrair as cartas.


Um dia, João Barbosa chamou D. Joana a uma conferência particular.


— D. Joana, chamei-a para lhe dizer uma coisa grave.


— Diga.


— Quero fazer a sua felicidade.


— Já não a faz há tanto tempo?


— Quero fazê-la de modo mais positivo e duradouro.


— Como?


— A sociedade não crê, talvez, na pureza de nossa afeição; confirmemos a suspeita da sociedade.


— Senhor! exclamou D. Joana com um gesto de indignação tão nobre quão simulado.


— Não me entendeu, D. Joana, ofereço-lhe a minha mão...


Um acesso de asma, porque ele também padecia de asma, veio interromper a conversa no ponto mais interessante. João Barbosa gastou alguns minutos sem falar nem ouvir. Quando o acesso passou, sua felicidade, ou antes a de ambos, estava prometida de parte a parte. Ficava assentado um novo casamento.


D. Joana não contava com semelhante desenlace, e abençoou a viúva que, pretendendo casar com o velho, sugeriu-lhe a idéia de fazer o mesmo e a encaminhou àquele resultado. O sobrinho José é que estava longe de crer que havia trabalhado simplesmente para a caseira; tentou ainda impedir a realização do plano do tio, mas este às primeiras palavras fê-lo desanimar.


— Desta vez, não cedo! respondeu ele; conheço as virtudes de D. Joana, e sei que pratico um ato digno de louvor.


— Mas...


— Se continuas, pagas-me!


José recuou e não teve outro remédio mais que aceitar os fato consumados. O pobre septuagenário treslia evidentemente.


D. Joana tratou de apressar o casamento, receosa de que, ou algumas das várias moléstias de João Barbosa, ou a própria velhice desse cabo dele, antes de arranjadas as coisas. Um tabelião foi chamado, e tratou, por ordem do noivo, de preparar o futuro de D. Joana.
Dizia o noivo:


— Se eu não tiver filhos, desejo...


— Descanse, descanse, respondeu o tabelião.


A notícia desta resolução e dos atos subseqüentes chegou aos ouvidos de D. Lucinda, que mal pôde crer neles.


— Compreendo que me fugisse; eram intrigas daquela... daquela criada! exclamou ela. Depois ficou desesperada; interpelou o destino, deu ao diabo todos os seus infortúnios.


— Tudo perdido! tudo perdido! dizia ela com uma voz arrancada às entranhas.


Nem D. Joana nem João Barbosa a podiam ouvir. Eles viviam como dois namorados jovens, embebidos no futuro. João Barbosa planeava mandar construir uma casa monumental em algum dos arrabaldes onde passaria o resto de seus dias. Conversavam das divisões que a casa devia ter, da mobília que lhe convinha, da chácara, e do jantar com que deviam inaugurar a residência nova.


— Quero também um baile! dizia João Barbosa.


— Para quê? Um jantar basta.


— Nada! Há de haver grande jantar e grande baile; é mais estrondoso. Demais, quero apresentar-te à sociedade como minha mulher, e fazer-te dançar com algum adido de legação. Sabes dançar?


— Sei.


— Pois então! Jantar e baile.


Marcou-se o dia de ano bom para celebração do casamento.


— Começaremos um ano feliz, disseram ambos.


Faltavam ainda dez dias, e D. Joana estava impaciente. O sobrinho José, alguns dias arrufado, fez as pazes com a futura tia. O outro aproveitou o ensejo de vir pedir o perdão do tio; deu-lhe os parabéns e recebeu a bênção. Já agora não havia remédio senão aceitar de boa cara o mal inevitável.


Os dias aproximaram-se com uma lentidão mortal; nunca D. Joana os vira mais compridos. Os ponteiros do relógio pareciam padecer de reumatismo; o sol devia ter por força as pernas inchadas. As noites pareciam-se com as da eternidade.


Durante a última semana João Barbosa não saiu de casa; todo ele era pouco para contemplar a próxima companheira de seus destinos. Enfim raiou a aurora cobiçada. D. Joana não dormia um minuto sequer, tanto lhe trabalhava o espírito.


O casamento devia ser feito sem estrondo, e foi uma das vitórias de D. Joana, porque o noivo falava em um grande jantar e meio mundo de convidados. A noiva teve prudência; não queria expor-se e expô-lo a comentários. Conseguira mais; o casamento devia ser celebrado em casa, num oratório preparado de propósito. Pessoas de fora, além dos sobrinhos, havia duas senhoras (uma das quais era madrinha) e três cavalheiros, todos eles e elas maiores de cinqüenta.


D. Joana fez sua aparição na sala alguns minutos antes da hora marcada para celebração do matrimônio. Vestia com severidade e simplicidade.


Tardando o noivo, ela mesma o foi buscar.


João Barbosa estava no gabinete já pronto, sentado ao pé de uma mesa, com uma das mãos calçadas.


Quando D. Joana entrou deu com os olhos no grande espelho que ficava defronte e que reproduzia a figura de João Barbosa; este estava de costas para ela. João Barbosa fitavaa rindo, um riso de bem-aventurança.


— Então! disse D. Joana.


Ele continuava a sorrir e a fitá-la; ela aproximou-se, rodeou a mesa, olhou-o de frente.


— Vamos ou não?


João Barbosa continuava a sorrir e a fitá-la. Ela aproximou-se e recuou espavorida. A morte o tomara; era a melhor das noivas.


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Fonte

Edição referência: http://www2.uol.com.br/machadodeassis
Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1877.


Texto-base digitalizado por:
Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Lingüística
(http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/literat.html)


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