XAMANISMO: PASSAGENS SECRETAS - 5
OS SEGREDOS DO MUNDO INTERIOR
ARCANO 15, O XAMÃ
Uma qualidade maravilhosa está escondida no Arcano 15
do Tarô, um Arcano muito mal compreendido, até pelas
pessoas inspiradas que desenharam o Tarô de Marselha.
Essa figura com chifres na cabeça nada tem de
diabólico. É muito antiga. Já se encontrava gravada na
rocha, há 35 mil anos atrás, em uma caverna
pré-histórica da França.
Um xamã dessa época se vestiu com uma pele de
animal, colocou na cabeça chifres de cervo,
identificou-se com um cervo, para recuperar a divina
sensibilidade animal, essa total harmonia, essa unidade
com a Natureza, que permite prever se o inverno será
rigoroso, que permite sentir onde se esconde a manada
dos cervos, para que a tribo possa caçar, matar um
cervo. Poderia matar muitos cervos, mas respeitava.
Precisa de um, mata um. Respeita a vida.
Fazia o que faz um ator. Imaginava-se um cervo, como
um ator se imagina o rei Lear ou Othelo. Não era um
animal, era um homem em comunhão com a alma dos
cervos. Era muito mais do que um cervo. Era mais do
que um homem comum. Era um homem inspirado.
Os gregos fizeram dessa figura o Deus Pã, o Deus da
Natureza, esse Deus que toca a maravilhosa flauta de
Pã. Mas, quando se acentuou a divisão entre o
espiritual e o material, o material, o terrestre, foi
rejeitado como inferior. A vida foi rejeitada, o senso da
vida foi rejeitado. O Buda queria fugir do Universo e os
cristãos fizeram dessa figura o diabo: como se a vida
fosse diabólica! Como se a obra divina fosse um
fracasso!
A Coroa é apenas uma sofisticação dos chifres e
significa a comunicação, pelo topo da cabeça, com o
Céu, o Divino, o Infinito. A comunicação do Céu e da
Terra. Plutão.
Quando imaginamos chifres no topo da nossa cabeça,
podemos sentir acima da nossa cabeça. Podemos sentir,
acima da nossa cabeça, o céu. Podemos sentir o
Infinito. Podemos sentir o Infinito da nossa consciência.
Tornamo-nos consciente da nossa totalidade,
espiritual, astral e material. Somos presentes no mundo
real, na sua plenitude e seu esplendor.
A Coroa era feita para lembrar ao rei da sua dimensão
infinita, e que para governar no plano material sem se
deixar hipnotizar pelas aparências, ele devia receber
inspiração e poder do seu Eu Superior. Poucos reis
foram Rei. Mas sempre existiram xamãs, pessoas
autenticas, capazes de curar o corpo, a alma, o
destino.
VIAGEM INTERIOR
O XAMÃ DA PRÉ-HISTÓRIA
Deixe sua imaginação viajar no Tempo.
Deixe sua imaginação sonhar,
entrar no túnel do Tempo.
Caminhando...
caminhando para chegar
a essa caverna,
nesse templo da pré-história.
As tochas estão iluminando um pouco
as paredes da caverna.
Você pega a pele de animal,
veste a pele de cervo.
Coloca na sua cabeça
os chifres de cervo,
entra em comunhão
com o mundo animal,
sem deixar de ser você.
Entra em comunhão
com o mundo dos cervos.
Assim, em estado de graça,
em estado de graça de cervo,
você está saindo da caverna.
Chegando na mata,
em total comunhão com a Natureza,
com o céu, com o céu em você
com a terra, com a terra em você.
Trabalhando para a tribo,
em total comunhão com a Natureza.
No ar, respirando o cheiro do inverno
que se aproxima.
Percebendo... percebendo o sabor
do inverno e como o inverno será.
Você focaliza sua atenção
na manada dos cervos.
Onde está,
onde está a manada dos cervos?
Sentindo... percebendo no ar
onde ela se esconde.
Você diz à tribo
onde a manada se esconde.
Uma mulher com um filho doente
se aproxima de você.
Com a sensibilidade do cervo,
você sente a doença,
a doença na criança,
sente o que é.
Focalizando sua consciência
na Natureza,
nessa vida ao redor de você.
Inspirando o ar da mata,
inspirando o ar da vida
e soprando sobre a criança.
Soprando seu alento
sobre a criança,
para que ela possa viver.
Inspirando o cheiro da mata,
o cheiro das árvores e,
com a sua mão direita,
transmitindo a Energia da mata
para a criança.
Falando com a mãe.
Dizendo à mãe que ela deve
dar um presente
aos espíritos da mata.
A criança já está sorrindo.
Mas a mulher
deve dar um presente
aos espíritos da mata, das árvores.
E você começa a cantar.
Cantar para os espíritos
das árvores, da mata.
Começa a cantar para o cervo,
para o cervo que
os caçadores vão matar.
Cantando para pedir licença,
pedir licença.
Cantando... cantando
para o cervo que vai morrer,
para a tribo sobreviver.
Cantando para o vento,
para o mar.
Cantando para o fogo,
para a água do lago.
Cantando para a terra.
E você dança.
Você dança a dança da terra.
Dança a dança da água.
Dança a dança dos pássaros.
Olhando a fogueira.
Inclinando-se
em frente às chamas.
Cantando para as chamas.
Dançando a dança das chamas.
Dançando as chamas.
Em comunhão.
Em total comunhão com as chamas,
entra na fogueira e dança.
Dança a felicidade.
Dança a beleza do mundo.
Dança o amor.
E canta uma boa caça.
Mas vem uma pessoa muito doente.
Você entra no mundo interior dela,
entra nela.
Viaja no mundo interior dela.
É perigoso.
Tem ribanceiras, abismos.
Grandes aves de rapina, monstros.
Mas você chama
seu Animal de Poder, seu aliado.
E você destrói os monstros
no mundo interior da pessoa.
Você destrói os espíritos ruins.
Morde, arranha.
Você se faz fogo, queima-os.
E você volta, volta a ser você.
Dançando... dançando a saúde.
A pessoa se sente melhor.
Você sabe que daqui a uma Lua
ela estará totalmente curada.
Você tira os chifres da sua cabeça.
Troca a pele de cervo
para sua roupa quotidiana
e você vive sua vida quotidiana.
Na mata,
os caçadores estão voltando.
Amanhã você irá caçar com eles.
Quando vem a noite,
você entra na catedral subterrânea.
Na caverna, no templo da Terra.
E o cantar dos pássaros
entra com você
nas profundezas da Terra,
e a mata, o vento,
entram com você.
As manadas de cervos,
a cachoeira e a beleza da Natureza
entram com você na caverna,
nas profundezas da Terra.
A dança entra com você.
Sim, o cantar dos pássaros
canta nas profundezas da Terra
com você.
Você traz o cantar dos pássaros
para as profundezas da Terra.
Oferece o cantar dos pássaros
até as profundezas da Terra.
Focaliza sua consciência
no Templo do Sol.
Para o você de agora
no Templo do Sol.
Você é você de agora,
mas você se lembra.
Você se lembra.
COMENTÁRIOS
O Arcano 15 representa Plutão. Até hoje, em muitos
lugares, os xamãs usam chifres, para entrar em estado
de graça, em comunhão com o Divino ao redor de nós, o
Divino na Natureza. Ou eles usam um cocar, penas de
águia. O céu na cabeça. Os pés na terra.
Quando você tira o Tarô e o Arcano 15 aparece, você
sabe: aqui existe uma canção de poder. Aqui há uma
cura.
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