XAMANISMO: PASSAGENS SECRETAS - 1
XAMANISMO NA LUZ DO DIA
Tudo começou há 35 mil anos atrás, pelo menos.
Desenhos gravados em cavernas na França comprovam
que, já naquela época, algumas pessoas lidavam com o
mundo interior e, assim, obtinham no mundo exterior
resultados muito concretos e benéficos, sim, mágicos e
que respondiam a leis naturais, ainda que mal
compreendidas.
Os primeiros estudos modernos interessaram aos xamãs
da Sibéria e os etnólogos se acostumaram a usar o
termo xamã para desenhar, nas tribos primitivas, os
especialistas do mundo interior. Aqui no Brasil usa-se o
nome pajé. Na América do Norte a palavra inglesa é
medicine-man. Feiticeiro e bruxo são outros nomes
usados, geralmente com hostilidade, por autoridades
religiosas.
Psicologia é um outro nome, que abrange, com clareza e
prudência, apenas uma parte do profundo mistério
escondido no mundo interior. Os xamãs vão mais
profundo, com ingenuidade, não sabem muito bem se
explicar e usam referências diferentes das nossas.
SEREPTIE
A história de Sereptie é um clássico do xamanismo.
Permite compreender, com clareza, o acontecimento
que transforma alguém em xamã, em pajé, em mago.
Sereptie era um esquimó comum, quando foi atingido
por uma doença mortal para os esquimós: a varíola.
Estava agonizando, em coma. A consciência de Sereptie
já estava no além. No além, Sereptie encontrou uma
mulher vermelha. Fez amizade com ela. Teve sorte: a
mulher vermelha nada mais era do que a Deusa da
varíola. Curou Sereptie, que saiu do coma. Ressuscitou.
Agora era um xamã: alguém que morreu e ressuscitou.
Conhecia o caminho do além, de ida e de volta!
Sabemos muito bem que a varíola não é uma Deusa
vermelha. Mas um esquimó não tem noção nenhuma de
vírus. O que ocorreu é muito claro. No estado
alterado de consciência do coma, Sereptie entrou em
contato telepático com uma inteligência não humana, a
inteligência dos vírus. (Quem fala com as plantas
compreende muito bem o que estou dizendo). Mas, para
nós, a inteligência é humana: o inconsciente dele fez
uma tradução, traduziu esse encontro na forma humana
de uma mulher vermelha. Depois, quando alguém ficava
doente com varíola, Sereptie chamava a mulher
vermelha (entrava em telepatia com os vírus e o
doente se curava.
Um africano vivenciou a mesma morte e ressurreição. O
inconsciente dele traduziu a telepatia com os vírus na
forma humana de Omolu, o Orixá das doenças.
A história é sempre a mesma. Um xamã espontâneo é
alguém que, atingido por uma doença grave, salvou-se.
Conhece o caminho do além, de ida e de volta. É capaz
de mostrar o caminho.
As iniciações xamânicas sempre praticam rituais de
morte e de ressurreição, às vezes usam venenos,
drogas psicodélicas, causando um coma
parcial.
Como os mistérios egípcios. Como os grandes mistérios
gregos. Plutarco escreveu com clareza: "todos nós
conheceremos os segredos dos iniciados no momento da morte."
Até hoje, as sociedades iniciáticas usam rituais
de morte e de ressurreição. Os xamãs mostraram o
caminho do além. Estamos seguindo o caminho.
Viajamos no astral. Entramos, conscientemente, no
subconsciente. Karl Gustav Jung chamava isso de
"imaginação ativa." Robert Desoile falava de "sonho
despertado".
Vamos voltar às origens e viver aventuras xamânicas.
Vamos fazer isso como pessoas do fim do século XX,
compreendendo o que fazemos, sem drogas, sem
violência contra nosso corpo, sem morte aparente, em
plena clareza da nossa consciência.
FORA DO CORPO
Em uma primeira etapa, vamos sair do nosso corpo físico
e perceber que nossa consciência não depende do
mundo material. Na Realidade, já saímos assim todas as
vezes que viajamos no astral, seja de noite quando
sonhamos, seja devaneando, seja vivendo sonhos
despertados. Quem sai do corpo é nossa consciência, a
consciência que somos. Sair do corpo consiste apenas
em se desipnotizar.
As sensações que vêm do corpo
físico são tão fortes que nossa consciência fica
hipnotizada em uma visão material do mundo. Basta um
relaxamento, basta focalizar a consciência para o
mundo das imagens e nos encontramos no astral. O
relaxamento preliminar é imprescindível, sem esforço.
Sem fazer nenhum esforço para sair do corpo, deixando
acontecer sem mesmo perceber.
O astral é uma imensidão. Geralmente, focalizamos
nossa consciência no astral para o nível das causas, o
nível das Energias que condicionam nossa vida, de
maneira a conseguir uma Alquimia. Mas, podemos andar
no astral imediato, mais próximo ao nível material e olhar
o que acontece em Pernambuco, ou na casa do vizinho,
ou em nosso corpo, ou no corpo de uma outra pessoa,
ou em outro planeta, ou em outra galáxia.
VIAGEM INTERIOR: O CORPO DE LUZ
Lembre-se, lembre-se.
Lembre-se de outros tempos,
quando você andava na luz do Sol.
Em plena Luz do Sol,
focalize sua consciência
no seu corpo Energético,
seu corpo feito de Energia,
feito de Luz.
Imagine-se nesse corpo de Luz,
tão leve,
deixando seu devanear sentir
a deliciosa leveza.
Pode sentir a vibração,
a vibração de Luz das suas mãos.
Suas mãos brilham,
seu braços brilham.
Seu rosto está brilhando
da sua própria Luz.
Seu corpo inteiro está brilhando
da sua própria Luz,
vibrando
nesse profundo bem-estar.
Os objetos ao redor de você irradiam.
Dos objetos, das pessoas,
emana uma Luz,
a Luz, a Energia
de que são realmente feitos,
dessa Luz silenciosa, muito tranqüila,
e você pode sentir
o prazer de se encontrar
nessa dimensão secreta, misteriosa,
escondida atrás das aparências.
Olhando com curiosidade,
deliciando-se em olhar,
você mexe seu braço direito,
feito de Luz.
Levanta-se, de pé, flutuando
um pouco acima do chão,
deliciando-se
com a leveza do seu corpo,
indo para a porta da sala,
atravessando a porta,
sentindo essa resistência tão leve
do tecido da madeira,
descendo a escada, flutuando,
atravessando a Luz
de que a parede é feita,
atravessando a parede,
como se tira uma roupa.
E você está andando,
flutuando até a rua,
sentindo, olhando com curiosidade
esse mundo
que emana sua própria Luz.
Indo para a esquerda.
Olhando, sentindo,
sentindo a curiosidade
se deliciar em você.
Entra na casa do vizinho,
sentindo, olhando com curiosidade.
Memorizando, olhando para a esquerda.
Respirando o cheiro, o clima do lugar.
Mandando Luz,
bem-estar para o lugar.
Divertindo-se em irradiar
a casa do vizinho
com uma Luz cor-de-rosa,
impregnando a casa do vizinho
de música,
de tranqüilidade, de paz.
Alça vôo, atravessando o teto,
focalizando sua consciência,
a consciência que você é,
para um outro planeta,
uma outra civilização
em afinidade com você.
Devaneando o encontro
com uma pessoa de lá,
em afinidade com você.
Deixando essa pessoa guiar você,
mostrar como ela vive, o que ela faz.
Vivendo com ela alguns dias.
Agradecendo à pessoa.
Mandando uma Luz cor-de-rosa
para ela.
Você focaliza sua consciência
na Terra,
no planeta Terra.
Nessa cidade, nesta rua.
Atravessando a parede,
olhando seu corpo físico de fora.
Olhando de fora o rosto,
a expressão do rosto.
Olhando o corpo com curiosidade.
Com prazer entrando no seu corpo,
deliciando-se em entrar de volta
no seu corpo físico.
COMENTÁRIO
Sua inteligência racional tem todo o direito de
considerar essa aventura como uma simples fantasia.
Nossa inteligência racional foi treinada pelo mundo
material e precisa da estabilidade do mundo material
para funcionar. A lógica comum pode manipular sólidos
bem definidos. Não funciona muito bem com os fluidos
em transformação permanente, confunde-se como se
confundem as gotas de água, onde as leis do sim e do
não deixam de se aplicar. A matemática dos fluidos e a
topologia desenvolvem uma supra lógica reservada aos
especialistas.
A lógica comum, que usa referências materiais, pensa
em termos de sólidos, não é competente nem em
topologia, nem em viagem fora da matéria, fora do
corpo. Mas a lógica moderna é competente sim, e
compreende.
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