POESIAS DA FÉ BAHAI - 4
RÚHIYYIH RABBANI - 4
A PÉROLA INESTIMÁVEL
Tantas pérolas
E tantos mares;
Mas a Pérola de Grande Preço
Retornou ao mar
Deixando-nos desolados na praia.
Tantos sóis
E tantos mundos;
Mas o sol de nosso mundo
Se ocultou na noite
E nos deixou chorando
Nas trevas.
O príncipe sem jóia,
A terra sem luz!
Por que nos ofertar pedregulhos
Ou quinquilharias de lata,
Ou estrelas sem brilho,
Ou meteoros fugazes?
Devolvei ao meu coração
Sua brilhante e resplandecente pérola!
Voltai o relógio dos dias
E iluminai o mundo
Com seu próprio sol
Outra vez mais!
Palavras, palavras, palavras;
A mente as toca
Milhares de vezes
E as deixa cair, afinal,
A compreensão esgotada.
E o coração
Como boca faminta
Chora pelo seio
Que uma vez conheceu;
A própria vida sugava.
Por que estendeste
Uma cortina ante Tua face, ó Senhor,
E ocultaste de nós nosso amor
E roubaste de nossos olhos
Seu consolo, seu tão anelado deleite?
Tu dizes: “Estou zangado
E cansado dos homens;
Nada mais são
do que um punhado de lesmas
Que se arrastam
em suas trilhas escorregadias
Tímidas, lentas e cheias de cobiça.
“Eu lhes dei sóis,
Lua e estrela;
E a promessa de filhos
Daquela mais luminosa estrela,
Em vão! Seus olhos embriagados
Jamais se ergueram do pó.
“Brincavam na praia
E nenhum deles se aventurou
Para dentro do mar espumante
Que lambia seus próprios pés.
“Por que deveria entregar meu Rebento
Para lutar e sofrer em agonia
Por tais sombras de seres como esses
Que nada vêem nem ouvem nem falam
Nem desejam a verdade?”
Minha cabeça se curva
Demasiado alquebrada para falar,
Demasiado seca para chorar.
Apenas segue dolorida,
Sempre, sempre, sempre...
18 de março de 1959
O PILAR DE FOGO
Vieste ao mundo
Como um pilar rodopiante de fogo,
Como retumbante, atroadora,
Poderosa língua de fogo.
E ficamos espantados e perplexos
Que o Deus e o Rei
E a voz que vem do alto
E os homens aqui embaixo,
Pudessem ser todos fundidos num só,
Um rebento da Casa do Profeta
Com cetro e globo
No trono do homem.
Nossos pequenos corações se rebelaram
E tremeram e se dilataram;
Nossas pequenas mentes se atrapalharam
Nas trancas de tanto mistério.
Mas no final enxergamos,
Enxergamos e nos entregamos a ti,
Nem pouco nem muito,
Mas esgotados em perfeito amor.
Tu te tornaste a luz de nossos olhos,
A esperança de nossas almas,
O consolo de nossas pobres mentes.
Nós nos inclinamos para ti, meninos e homens,
Como uma criança coloca a fronte
No peito da mãe
E sabe que tudo estará bem.
Ah, onde está nosso pilar de fogo?
O rugido e a luz
Se foram para além do horizonte distante
E uma fagulha no céu permanece
E uma vibração na terra permanece!
Estendemos as mãos para Deus,
Mãos mais velhas, mais frágeis, que tremem,
E perguntamos “Onde está nosso Rei?
Por que o deste a nós
E por que o tomaste de nós?
“Foi nosso pecado tão grande,
Foi Tua inveja tão profunda,
Que o Ser Radioso
Foi chamado para longe
Do lar dos homens
Retornando ao Teu Reino no alto?“
As lágrimas correm
E as palavras emanam,
Inutilmente, inutilmente, inutilmente!
Ele veio e se foi,
Um pequeno mundo, um nadinha
Numa folha de balanço
Que se estende da eternidade
à eternidade.
Por que deveria Ele Se importar tanto
Conosco, coisas rastejantes
Que nem mesmo sabiam
Que o fogo aqui estava para perder,
Para preservar, talvez para sempre?
E assim segue a vida dos homens
Bem arranjada na luz do dia,
Pois é branco e limpo e belo
Esse dia que Ele nos deixou.
Mas onde está nosso amado?
Onde o som de sua voz,
O sorriso de seus lábios,
O brilho de seu olhar,
O toque de sua mão
Na caneta, na terra, no coração,
Em nossas vidas e esperanças e preces?
Vermelho e ouro e opala,
Cintilante e cálido,
Um fogo para nos aquecer inteiros,
Tal era o nosso pilar de fogo!
E quando o contemplamos
Fomos dominados por ele, espantados,
Quando ao longe
O escutamos retumbar
Enquanto ele volteava e girava
E rugia no mundo dos homens.
Descansamos nossas cabeças em paz
E dormimos como crianças à noite
Porque ele lá estava,
Sempre lá, nosso Rei recém-nascido.
Deus, zombas de nós e Te ris?
Nada podemos fazer;
Somos indignos até o tutano
E lemos nossa lição
Vagamente como uma criança suspeita
Que o fim do mundo
Se deve a algum pequeno pecado.
Nossas cabeças se curvam,
Choramos e sofremos,
Mas nosso pilar de fogo
Jamais retornará!
Todas as lágrimas do mundo
Apenas criarão um mar
A bater na praia da vida,
Mas o fogo vem do alto
E ao queimar ascende
Em rosa e incenso
Para o Sol que o gerou.
6 de março de 1966
POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI
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FONTE DO TEXTO
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