PARÁBOLAS, HISTÓRIAS EDIFICANTES - 1

UMA HISTÓRIA TURCA

Um dia, Khoja estava cortando lenha à beira da estrada, a uns poucos quilômetros de Akshehir. Transcorrido algum tempo, um homem veio pela estrada, caminhando na direção de Akshehir, e perguntou ao Khoja:


- O senhor poderá dizer-me quanto tempo levarei até chegar a Akshehir?


Khoja ouviu-o e ergueu a vista da sua tarefa, mas nada disse. Por isso o homem, em voz mais alta, insistiu:


- Quanto tempo levarei para chegar até Akshehir?


Mas o Khoja continuou em silêncio. Dessa vez o homem bramiu, indignado:


- Quanto tempo levarei para chegar a Akshehir?


Como Khoja continuasse mudo, o homem chegou à conclusão de que ele era surdo; e assim se pôs a caminhar depressa no rumo da cidade. Nasreddin Khoja observou-o a caminhar por uns instantes e de repente lhe gritou:


Uma hora!


- Por que não me disse isso antes? - Desabafou-se o zangado viajante.


- Porque eu primeiro precisava conhecer a velocidade da sua marcha - respondeu o Khoja.


(Jean Sulzberger, em "A Busca")



A MAIS BELA FLOR

Comenta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe do norte do país estava prestes a ser coroado imperador mas, segundo a lei, deveria se casar.


Ciente disso, ele planejou uma "disputa" entre as moças da corte e, eventualmente, outras que se julgassem à altura de sua proposta.


No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, em ocasião festiva, todas as pretendentes e lhes apresentaria um desafio. Uma velha senhora, que servia no palácio há muitos anos, ouviu as conversas sobre os preparativos e se entristeceu, porque a sua jovem filha sentia amor pelo príncipe.


Ao chegar em casa e descrever o fato à jovem, espantou-se ao saber do seu propssito de ir à festa, e lhe perguntou, incrédula:


- Minha filha, você acha que poderá estar lá? Comparecerão as mais belas e ricas moças da corte. Esqueça essa idéia absurda; sei que você deve estar sofrendo, mas não transforme o sofrimento em loucura.


E a filha lhe respondeu:


- Não, querida mãe, não estou sofrendo nem estou louca, porém sei que nunca ele me escolherá. Todavia, é uma oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe e isso já me torna feliz.


Á noite, a jovem chegou ao palácio. Lá se encontravam todas as moças mais belas, com as mais finas roupas, com as jóias mais vistosas; todas elas decididas a ser a futura imperatriz. Então, o príncipe, em meio a grande expectativa as convida:


- Entregarei a cada uma de vocês, uma semente. Quem, daqui a seis meses, trouxer-me a mais bela flor, será escolhida por mim, como esposa e imperatriz.


A proposta do príncipe harmonizou-se com as antigas tradições chinesas, de valorizar muito o "cultivo" de algo, sejam costumes, amizades ou relacionamentos...


As semanas passaram, e a meiga jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, tratava com muita paciência e carinho a sua semente, pois queria que a beleza da flor correspondesse à extensão de seu amor, e isso já a tranqüilizava.


Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que sabia, mas nada brotou. Dia após dia ela via cada vez mais longe o seu sonho, mas sempre mais profundo o seu amor.


Por fim, os seis meses haviam passado e nada nascera. Consciente de que fizera o melhor ao seu alcance, a moça comunicou à mãe que, de qualquer maneira, retornaria ao palácio, no dia e hora combinados, pois não desejava nada além de mais alguns instantes na companhia do príncipe.


Na hora marcada, lá estava, com seu vaso vazio, ao lado das outras pretendentes, cada qual delas com uma flor mais bela com atraentes formas e cores. Ela estava maravilhada, diante do quadro deslumbrante.


Por fim vem o momento aguardado: o príncipe observa cada uma das pretendentes, com o máximo cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele proclama a sua real escolha: a simples e bela jovem seria a sua futura esposa. As pessoas presentes ficaram chocadas, sem entender porque ele escolhera justamente aquela, que nada conseguira cultivar. Então, serena e sabiamente, o príncipe sentenciou:


- Esta foi a única que cultivou uma flor e isso lhe deu o mérito de poder ser uma imperatriz. A flor da honestidade. Todas as sementes que ofertei eram estéreis.


(Autor desconhecido, chinês, possivelmente)



A MULHER IDEAL
(Da tradição sufi)

Nasrudin desejava encontrá-la.
Ele estava proseando com um conhecido seu, que lhe indagou:


- Mullah, responda-me, você nunca pensou em se casar?


- Sim, claro que já. Quando eu era jovem, determinei-me a achar o meu par perfeito. Cruzei o deserto, cheguei em Damasco, e conheci uma mulher belíssima e espiritualmente muito evoluída; mas as coisas triviais, do dia-a-dia, a atrapalhavam.


Mudei de rumo e lá estava eu, em Isfahan; ali pude conhecer uma mulher com dom para as coisas materiais, da vida caseira, e além disso se mostrou muito espiritualizada. Porém, carecia de beleza física. Pensei: o que fazer?


E resolvi ir ao Cairo. Lá cheguei e logo fui apresentado a uma linda jovem, que também era religiosa, boa cozinheira e conhecedora dos afazeres do lar. Ali estava a minha mulher ideal.


- Entretanto você não se casou com ela. Porquê?


- Ah, meu prezado amigo, ela também estava buscando o homem ideal.



COMO ORAR CORRETAMENTE?
(Da tradição Sufi)

Nasrudin, precisava do seu burrinho, para algumas tarefas, mas o havia emprestado.


Não seria possível cumprir a sua tarefa, sem o seu prestimoso animal. Desanimado, lembrou-se de pedir a Deus uma solução, e começou a orar, para que lhe viesse um burrico. Foi caminhando e rezando.


No meio de uma trilha se depara com um homem de semblante severo, com dois burrinhos: montado num deles e puxando o outro, menor, por uma corda.


Nasrudin se acercou do viajante e esse lhe afirmou:


- Ó homem desocupado, estou trazendo um burrico de tão longe, estamos todos extenuados, e você pode pôr esse burrinho nas costas e o trazer conosco até a mais próxima vila.


Com uma adaga em punho lhe intimou: Depressa, homem! Ajeite-o nas suas costas, para chegarmos lá antes do anoitecer.


Nasrudin, temeroso, calou-se e obedeceu. E os quatro seguiram a sua jornada. Nasrudin ia atrás, trôpego. Depois de diversas horas chegaram a uma aldeia. Nasrudin, de tão cansado, quase não se agüentava em pé. O rude desconhecido nem agradeceu e pediu que Nasrudin voltasse.


Então, Nasrudin levantou os seus olhos para o céu e desabafou:


- Deus meu! Que lição acabei de aprender! Não basta pedir algo, vagamente, porém explicar como e qual a finalidade.

Parabolas 2


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