PARÁBOLAS BUDISTAS 10

O REI SÁBIO, BONDOSO E AMOROSO
Sutra Avadanasataka

Havia, certa vez, um rei que amava seu povo e país, governando-os com sabedoria e bondade, mantendo, desta forma, o país próspero e tranqüilo.


Dedicava-se sempre à procura de maior sabedoria e esclarecimento, oferecendo recompensas a todo aquele que lhe pudesse trazer bons ensinamentos.


Sua devoção e sabedoria, um dia, chegaram ao conhecimentos dos deuses, que resolveram pô-lo à prova.


Um deus, disfarçando-se em demônio, apareceu diante dos portões do palácio real e solicitou fosse levado à presença do rei, pois tinha um sagrado ensinamento a lhe dar.


O rei, que estava contente em ouvir esta mensagem, recebeu cortesmente o demônio e lhe pediu instruções.

O demônio, assumindo uma forma aterrorizadora, pediu-lhe alimento, dizendo que não podia ensiná-lo antes de ter o alimento preferido. Seletos alimentos lhe foram oferecidos, mas o demônio insistia em ter uma fresca e sangüinolenta carne humana.


O príncipe herdeiro e a rainha, como prova do amor que devotavam ao rei, ofereceram seus corpos ao demônio. que, ainda assim, não se tinha saciado e pediu o corpo do rei.


O rei anuiu em lhe dar seu corpo. Mas quis primeiro ouvir o ensinamento, antes de lho oferecer ao demônio.

O deus então pronunciou este ensinamento : "A lamentação e o temor surgem da luxúria. Aqueles que se afastam da concupiscência não têm lamentação nem temor."


De repente, o deus reassumiu a sua verdadeira forma e o príncipe e a rainha reapareceram com seus corpos originais.

Preciosa Colaboração de Márcio Barros - RJ

VENCENDO AS MALDADES
Sutra Dhammapada Atthakatha

Certa vez, o Buda Sakyamuni encontrava-se pregando na cidade de Kausambi. Nessa cidade vivia um homem que o odiava e, transtornado por esse ressentimento, e usando subornos, induziu algumas pessoas malvadas para que divulgassem boatos malévolos a respeito do Buda.


Como conseqüência, ficou muito difícil para os discípulos de Sakyamuni obterem, naquela cidade, alimentos suficientes através da mendicância, pois a população havia sido contaminada com as mentiras e abusos sobre o Buda e seus discípulos.


Ananda, um dos principais discípulos de Sakyamuni, disse para o Mestre: "Seria melhor não ficarmos nesta cidade; há outras e melhores cidades para onde podemos ir; saiamos daqui."


O Buda replicou : "Suponhamos que a outra cidade seja como esta; que faremos então ?"


"Então iremos para outra" --- disse Ananda.

O Iluminado retrucou : "Não, Ananda, assim nunca conseguiremos nosso intento. É melhor que permaneçamos aqui e suportemos pacientemente o abuso, as mentiras e as infâmias, até que se esgotem por si mesmas. Só então iremos para outro lugar."


Continuando, o Buda falou, ainda : "Há lucro e perda, difamação e honra, louvor e abuso, sofrimento e prazer neste mundo; os seres humanos que alcançam a Budicidade não são controlados pelas coisas externas, pois que elas desaparecem tão rapidamente como surgem."

Preciosa Colaboração de Márcio Barros - RJ, com ilustração de Sandro Neto Ribeiro

A INSENSATEZ E A ESTUPIDEZ DOS TOLOS
Sutra Samyuktaratnapitaka

Havia, certa vez, um homem que se irritava com facilidade.


Um dia, dois outros homens estavam conversando a respeito do homem irritadiço, em frente à casa onde ele vivia. Um dizia ao outro : "Ele é um belo homem, mas é impaciente demais; tem um temperamento explosivo e se zanga rapidamente."


O homem irritadiço, ouvindo a observação, irrompeu da casa e atacou os dois amigos, batendo, chutando e magoando-os.


Este fato nos ensina que quando um sábio é advertido sobre seus erros, refletirá sobre isso e melhorará sua conduta.


Quando, entretanto, um insensato tem sua má conduta apontada, não somente desprezará o aviso, como também continuará a repetir o mesmo erro.

Era uma vez um homem rico, porém tolo.


Ao ver uma bela mansão de três pavimentos, invejou-a e decidiu construir uma igual a ela, julgando-se suficientemente rico para tal empreendimento.


Contratou um carpinteiro e lhe ordenou que construísse a sua mansão.


O carpinteiro começou imediatamente a construir o alicerce para depois fazer, sucessivamente, o primeiro, o segundo e o terceiro andares.


O homem rico, vendo isso com irritação, disse : "Não quero um alicerce, nem o primeiro, nem o segundo andares; apenas quero o lindo terceiro pavimento. Construa-o rapidamente."


Um tolo, portanto, pensa apenas nos resultados, impacientando-se com o esforço necessário para se conseguir bons resultados.


Nada de bom pode ser conseguido sem esforço, assim como não se pode construir um terceiro pavimento sem que se façam primeiramente o alicerce, o primeiro e o segundo andares.

Um outro tolo estava, certa vez, fervendo mel.


Recebendo a inesperada visita de um amigo, ele lhe ofereceu algum mel, mas como estivesse muito quente, tentou esfriá-lo com um abanador, sem retirar o mel do fogo.


Da mesma maneira, é impossível obter-se o mel da fresca sabedoria, sem que primeiro se remova o fogo das paixões e desejos mundanos.

Preciosa Colaboração de Márcio Barros - RJ

A HISTÓRIA DO IMPERADOR SUSHUN

(...) O tesouro do corpo é mais valioso do que aquele guardado no cofre: e o tesouro acumulado no coração é muito mais valioso do que o tesouro do corpo.


Após ler esta carta, dedique-se em acumular o tesouro do coração.


Eu tenho a contar-lhe um dos episódios mais secretamente guardados. Na história do Japão, houve dois imperadores assassinados. Um deles foi Sushun, o 33o imperador. Ele era filho do imperador Kinmei e tio do príncipe Shotoku.


Certo dia ele chamou o príncipe Shotoku e ordenou: "Ouvimos dizer que o senhor é um homem de sabedoria insuperável. Aplique-me a fisiognomonia". O príncipe negou por três vezes, mas o imperador insistiu que Shotoku obedecesse a ordem real.


Finalmente não podendo mais recusar, o príncipe fez respeitosamente a profecia fisiognomônica de Sushun, e disse: "Majestade, o senhor tem o presságio do assassinato em sua face".

Mudando a cor de sua face, ele rosnou: "Que evidências tem o senhor, para convencer-me da credibilidade do que constatou?" O príncipe respondeu: "Vejo veias vermelhas em seus olhos.


Isso indica que o senhor incorrerá na inimizade das pessoas". E então o imperador perguntou: Que posso fazer para evitar esse regicídio?"


O príncipe disse: "É difícil evitar . Entretanto, existe um forte guarda chamado os cinco grandes princípios da humanidade. Enquanto este grande guerreiro ao seu lado, o senhor estará livre de qualquer atentado contra sua vida. Nas escrituras budistas, esse guarda é conhecido como "perseverança", um dos seis paramitas" (*1)

Por algum tempo, Shushun observou rigorosamente a prática da perseverança. Entretanto, por sua natureza irascível, um dia ele violou o preceito quando um dos seus súditos presenteou-o com um javali novo.


Ele puxou a espada e enterrou-a num dos olhos do animal, e depois no outro, dizendo: "Um dia faremos isto com alguém a quem odeio!" O príncipe Shotoku estava presenciando a cena.


"Que coisa deplorável o senhor fez!", disse ele ao imperador. "Sem dúvida, o senhor atrairá o ódio das outras pessoas, Majestade. As palavras que o senhor pronunciou serão a espada que atravessará o seu dono".


O príncipe ordenou então que fosse trazido tesouro para ser dividido entre os que ouviram as frases do imperador, na esperança tácita de que o assunto seria mantido entre eles.


Entretanto, um deles informou o episódio ao ministro Soga-no-Umako, Umako, imaginando que fosse a ele a quem Sushun odiava, mandou que o filho de Azumaaya-no-Atai, Atai Goma, matasse o imperador.

A história acima nos lembra que mesmo aquele que está no trono deve evitar o ato de dar expressão desenfreada aos seus pensamentos. Confúcio observava o provérbio: "Nove pensamentos para cada palavra".


Ele ponderava nove vezes antes de falar. Tan, o Duque de Chou era tão atencioso em receber os seus visitantes, que ficou famoso por ter interrompido seu banho por três vezes num dia, e sua refeição três vezes noutro, a fim de não deixá-los esperando...


... O propósito do Advento do lorde Buda neste mundo estava em seu comportamento como ser humano. Quão profundo! O sábio deve ser chamado humano, e os tolos, animais.

Esta carta se chama "As três espécies de tesouros" e foi escrita por Nitiren Daishonin em 11 de setembro de 1277 e foi endereçada a Shijo Kingo - um dos seus maiores seguidores. (aqui foi reproduzida somente um trecho)


(*1) - Seis paramitas: seis práticas de Bodhisattvas do Budismo Mahayana. Paramita significa partir desta praia da delusão e chegar à outra, a praia da iluminação.


Os seis paramitas são o oferecimento de esmolas, a observância aos preceitos, perseverança, assiduidade, meditação e obtenção de sabedoria.

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FONTE DO TEXTO

http://www.vertex.com.br/users/san



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