A PAZ INTERIOR - 2
AUTOR: IRADJ ROBERTO EGHRARI
Um texto para reflexão, baseado na fé bahai
Deus, o Criador, não é um velhinho barbudo, sentado em um trono com um cetro na mão, mandando raios que fazem morrer, nascer, crescer e
desaparecer. Não seria o desígnio Dele que nós tivéssemos que sofrer,
porque se Ele é todo bondade, todo misericórdia, se Ele é amor, perdão,
se Ele é tudo aquilo que consideramos como as qualidades e elementos
positivos, o sofrimento não pode ser um elemento maquiavelicamente
colocado na criação: "olha, tem isto tudo de bom mas vocês vão ter que
sofrer um pouquinho para ver o que é bom para tosse". Se Ele não sofre,
porque iria querer que Suas criaturas sofressem?
Na realidade para
evitar que suas criaturas sofressem, e o sofrimento nada mais é do que o
nosso comportamento inadequado perante as grandes situações que a
vida nos apresenta, Ele mandou-nos um manual. É a mesma coisa que um
carro: se o sujeito não sabe que tem que tem 2a, 3a , 4a ou 5a marcha ele
fica só na 1a. O motor sofre, o ouvido sofre, as peças sofrem, todo mundo
sofre. Parece que aquele carro é uma coisa horrível! "Meu Deus do céu, ô
bicho danado de fazer barulho e não sair do lugar, fica o tempo todo preso,
engasgando!". Na realidade a falta do conhecimento do automóvel levaria
à má utilização do mesmo.
Conta-se uma história de um peão de fazenda que tinha um armário muito bom onde ele colocava as suas botinas. Este armário muito bom, nada mais nada menos era que uma geladeira, mas como ele não sabia como é
que se usa aquilo, nem tinha energia elétrica, a geladeira para ele era um
ótimo armário, só que totalmente mal utilizado. O propósito da nossa
existência não é sermos geladeiras para serem usadas como armários.
Mas isto é o que fazemos conosco. Nos portarmos neste mundo da forma
inadequada.
O primeiro elemento dentro destes propósitos para o qual ao
Profetas e Mensageiros de Deus se manifestaram é assegurar a paz e a
tranquilidade do ser humano, provendo-lhes todos os meios. O primeiro
meio a que Eles se referem é a da transformação individual. Aí devemos
nos lembrar que somos somente responsáveis por uma única vida, e esta vida é a nossa.
Existe uma analogia que aparece nas escrituras bahá'ís que é muito
interessante, que diz que a nossa vida é como se estivéssemos buscando
controlar um arado que é puxado por um animal. Hoje em dia todos os
arados são mecânicos e puxados a trator, mas ainda há no nosso Brasil
certas áreas em que o fazendeiro, o lavrador, tem um cavalo com as
rédeas colocadas em sua mão, e o corpo do cavalo vem trazendo outro
conjunto de cintas que se prendem ao arado. A idéia é que o cavalo puxe o
arado, que vem rasgando a terra. Para conseguir manter a linha reta do
arado, deve-se controlar o cavalo com as rédeas, para que ele não vá nem
rápido, nem para a direita, nem para a esquerda. Temos que segurar
também na mão o arado para que se coloque a inclinação certa no solo
para conseguir rasgar o chão. Para o homem do campo isto é talvez tão
fácil quanto para nós é dirigir carros. (as vezes um homem do campo pode
pensar "Que coisa incrível, o sujeito aperta os pedais, vira o volante,
muda uma marcha, aperta os sinais e faz tudo ao mesmo tempo!"). Mas
há um segredo nesta coisa do arado: se você por um momento sequer
desviar o seu olhar da linha que você quer centrar, você erra tanto que
não tem mais como consertar.
Neste exemplo que é dado neste texto bahá'í quer-se dizer que somos responsáveis por uma única vida, como se fosse um lavrador que tem que
cuidar do seu arado. Somos responsáveis por um único arado que é o
nosso. Se formos olhar para o arado do vizinho, no momento que
desviarmos o olhar, por um segundo que seja, perdemos a nossa linha.
Então, sem dúvida o primeiro elemento essencial é volvermos nossa visão
para nós mesmos, e buscarmos dentro de nós os elementos desta batalha
e não fora de nós.
O responsável pelos males da nossa existência não é o
nosso vizinho, não é o nosso companheiro de trabalho, não é o nosso
marido, não é a nossa mulher, não é o nosso filho, não é nada disso. Na
realidade temos que travar esta batalha dentro de nós. Existe a batalha,
existe o instrumental e o primeiro instrumento é volvermo-nos para nós
mesmos. Se buscarmos dentro de nós os nossos inimigos essenciais, e o
nosso grande inimigo é o nosso ego, a nossa vontade egoísta, o nosso
querer, aquilo em que me sinto o melhor, o superior, o mais merecedor do
que os outros. Sem dúvida, podemos trabalhar isto através da leitura, da
meditação e através da prática.
Ou seja, o grande desafio nosso é
transformarmos palavras em ações. O mundo está cheio de boas
intenções, boas palavras, discursos, pronunciamentos, teses. Todas elas
são muito bem intencionadas. Mas a questão toda é como conseguimos
transformar palavras em ações. Aquilo que conseguimos ler, como é que
vamos assimilar e transformar numa nova atitude, ou numa mudança de
nossa atitude. E aí começa a batalha. Porque na realidade o nosso querer,
as nossas vontades, as nossas paixões vão dizer: "Não! Mas porque
mudar, você é único, você merece toda atenção, será que você não vai
olhar um pouquinho para você mesmo?"
E fica um diabinho falando do lado de cá, e um anjinho do lado de lá, geralmente desprezado, e
normalmente ganha a batalha o diabinho do lado de cá. E o anjinho do lado
de lá se torna enfraquecido, e o diabinho do lado de cá, ou seja do seu ego
que insiste no "você merece, você é alguém", ganha pois isto é melhor
valorizado na sociedade atual. Através da televisão, há toda a propaganda
e o marketing das coisas que estão envolvidas com a valorização do
indivíduo. Desde a doutrinação que as crianças estão tendo com os
desenhos animados (Eu tenho a Força!), entre outras, e o culto ao eu cada
vez mais forte fazem com que o ego insistente, sem dúvida, vença.
Um dos elementos que podem ser considerados na tarefa de transformar palavras em ações é a oração. A oração tem o poder de transformação sobre nós e o poder de assegurar uma nutrição para nosso ser interior. Por oração eu me refiro a qualquer tipo de oração, desde que ela siga uma determinada regra essencial. E esta regra é colocada de forma muito
interessante nos escritos bahá'ís quando dizem que:
"O verdadeiro devoto ao orar não deve esforçar-se tanto para pedir que Deus satisfaça seus desejos e vontades, mas sim que ajuste este e o faça conformar-se com a vontade de Deus. Só através desta atitude pode-se derivar aquele senso de paz e contentamento interiores que tão somente o poder da oração pode conferir".
Ou seja, no momento em que buscamos na oração um elemento de reforço interior, o bichinho do lado de cá que fica o tempo todo dizendo "olha, você merece, você é o máximo, você tem que ter toda a atenção do
mundo; afinal, você é um indivíduo que tem a sua própria identidade,
então que estória é esta de você se perder no meio do mundo?",
passamos a ter a tendência de olhar para este bichinho e dizer "bom, na
verdade, seria tão bom se a minha oração fosse atendida na forma como
eu quero, como eu espero!".
É aí que nos perdemos, porque, na realidade,
não estamos cumprindo com o propósito que a oração tem. Se a oração
significa comungar, significa este trocar de sentimentos e energias com
um Ser superior, é daí que deriva a força para travarmos esta batalha.
Esta força tem que vir de uma busca divina. A oração nos ajuda a fazer o
ajuste dos nossos desejos para se conformarem com uma vontade superior.
Estamos agora tratando da batalha num nível diferente. Estamos agora buscando um aliado muito forte nesta batalha. Porque este aliado forte é a crença em Deus. No entanto, se falamos em oração e ela parece algo
muito mecânico e automático, temos que estar atentos! Nossa sociedade
também buscou transformar as coisas mais etérea, não palpáveis, em
coisas que não merecem a nossa atenção, porque não são concretas, não
são lógicas, não são racionais. A oração também se tornou uma coisa
muito mecânica. A mecanicidade da oração fez com que ela perdesse o
valor de algo que é capaz de nos mover.
O resgate de nossa espiritualidade passa por esta reconexão com Deus através da oração e meditação. Ao nos reconectarmos com um espírito
vibrante e radiante, temos em mãos um instrumento fabuloso para travar
a nossa guerra e alcançar as margens do oceano da paz interior.
Início do texto
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A PAZ INTERIOR - 1
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NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 1
NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 2
O DIA DE DEUS - 1
O DIA DE DEUS - 2
CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE
LIÇÃO 1
LIÇÃO 2
LIÇÃO 3
LIÇÃO 4
LIÇÃO 5
LIÇÃO 6
LIÇÃO 7
APÊNDICE
POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI
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2
3
4
5
FONTE DO TEXTO
http://www.bahai.org.br
Sorria ao acordar
e antes de dormir!
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