Temas Espiritualistas


Página 48

Sete Palmos


Por Frank (Francisco de Oliveira)

Estavam todos em volta do corpo. Minha mãe chorava; meu irmão, tão falante, calara-se. Familiares e amigos, rostos ausentes e só agora presentes na morte. Meu pai merecia, como despedida, muito mais do que essa festa de lamentações.

Todo esse choro em volta de um corpo oco, pois o que havia dentro já não estava mais por lá. Quando alguém se vai, o corpo é nada mais do que algo parecido a uma foto sem foco, vaga lembrança de alguém que já não habita por aqui. A dor e a saudade são naturais no coração de quem fica, mas o apego ao cadáver é irracional, nesse luto que cega o coração com lágrimas amargas - e elas não reconhecem que o fim de mais um ciclo, dos muitos da vida, acabou de acontecer.

O funeral deveria ser uma celebração, onde familiares e amigos fazem a releitura do livro de uma vida que há pouco se acabou, e não um show de horrores, onde gritos, choros e lamentos celebram a nossa imaturidade em lidar com algo tão natural e certo na vida: a morte.

Sinto falta do meu velho, mas a última imagem que quero guardar no peito não é o tronco oco e caído que todos estão velando, mas sim a árvore que nos dava sombra, frutos e deixou em seus filhos a semente do seu amor e a continuidade da sua obra. Prefiro me despedir enterrando os maus momentos e transformando os bons em flores, que não serão despejadas no caixão e sim jogadas para o alto - a sete palmos de altura -, nas asas do vento que suspira em meu ouvido: “sintonize amor e ele chegará ao lugar onde seu pai foi morar”.

São Paulo, 27 de agosto de 2007.

Texto <806><29/08/2007>.


Beautiful (1*)


Por Frank (Francisco de Oliveira)

Há uma beleza que salta da alma e reflete nos olhos.
Uma beleza que mostra do que somos feitos e despe a ilusão da aparência.
Essa beleza é eterna e carregamos com a gente para todo o sempre.
Ela está oculta no toque dos amantes, mas é sempre evidente no olhar dos amados.

Ela é nossa identidade espiritual e projeta-se para além do corpo, em direção ao espaço que nos separa um do outro, e torna belo tudo o que fazemos, e tudo o que criamos.

Essa beleza é o diamante que todos carregamos no peito; é um palácio de cristal, protegido das emoções pesadas, das paixões desencontradas e das desilusões de sempre perder alguém que nunca foi seu.

Você é Beautiful, em toda a sua grandeza, em todo o seu brilho.
Não importa se você é jovem ou velho, magro ou gordo, branco ou negro.

Você é Beautiful!

Se não consegue ver isso no espelho, olhe nos olhos de quem realmente lhe ama e verá a imagem da beleza que você possui de verdade.

- São Paulo, 12 de setembro de 2007.

Texto <813><27/09/2007>.


Nota do Texto

(1*) - Beautiful (do inglês): Belo, bonito.


Notas de Wagner Borges

Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005. Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos. Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista on line de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br – Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet: cronicasdofrank.blogspot.com

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Fonte

Postado por Admin (Wagner Borges) em Quinta, 27 de Setembro de 2007 às 20:09, no site www.ippb.org.br.


Agradecimento

Wagner Borges concedeu-me muito gentilmente, via e-mail, em 11 de setembro de 2007, permissão específica para aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site do IPPB. Muitíssimo obrigado ao Wagner pela sua generosa e inestimável colaboração. Mais detalhes aqui.


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