VALORES HUMANOS E SUA PRÁTICA
NA VIDA COTIDIANA - 4
SINAIS DE MUDANÇA
Todos somos iguais,
quanto ao potencial, desejos etc. Portanto,
todos queremos o mesmo: uma vida feliz, uma
família feliz, uma sociedade feliz. A humanidade
pode mudar positivamente através desse
desejo, através do indivíduo que cultiva esse
desejo. É uma mudança longa, mas é a única
forma de mudança possível.
No início deste século, muitas ideologias
nasceram e no entanto já morreram. O
conceito de paz, de solidariedade se tornou
mais forte ao longo deste século. O espírito de
não violência, de solidariedade e negociação
também cresceu. Vejam o exemplo da África do
Sul!
Também cresceram os sinais de espiritualidade.
No início do século, as pessoas apenas se
abrigavam em uma crença religiosa. Agora,
neste final de século, com a incorporação de
hábitos e métodos da ciência, as pessoas
aprenderam a observar, analisar. Ciência e
religião se aproximaram. Um exemplo: a física
quântica tem várias similaridades com os
conceitos budistas.
Também o poder de destruição do homem hoje
é muito grande, e isso faz crescer o desejo de
paz. Antes da Segunda Guerra, quando as
nações declaravam guerra e se mobilizavam,
chamando a população para se alistar, não
havia questionamentos. Já no Vietnã e a partir
de então não há esse comportamento. Muitos
se opõem às guerras.
Do ponto de vista da ecologia, no início deste
século não se conhecia nada sobre ecologia. A
preocupação com o meio ambiente era algo
reservado a especialistas. Agora, a consciência
ecológica cresceu muito.
O mesmo aconteceu com os conceitos de
direitos humanos e auto-determinação das
nações, que atualmente gozam de aceitação
universal.
Todas essas mudanças são indicações positivas
que nos levam a crer que o próximo século será
melhor, mais pacífico. Isso também significa que
teremos que pensar mais holisticamente e nos
esforçarmos mais.
INTERDEPENDÊNCIA
DE TODOS NÓS
Hoje, graças
à tecnologia e à economia moderna, o mundo
está ficando menor e mais interdependente,
especialmente quanto ao meio ambiente e à
economia. Em termos modernos, nações e
continentes são tremendamente
interdependentes. É impossível pensar em
termos de uma nação independente.
Considerando isso, o conceito de separação
entre "nós" e "eles" não mais existe. Meu
interesse e os interesses dos outros são
interdependentes, o interesse deles é o meu e
vice-versa.
Por isso temos que pensar globalmente, pensar
em uma responsabilidade global. Conceitos
como Oriente e Ocidente, Norte e Sul não mais
se aplicam. Especialmente no campo da
ecologia e do meio ambiente não podemos
pensar como nações isoladas, temos que fazer
esforços coletivos de preservação.
Por isso, fico feliz de ver esta cidade limpa, pura
e bem conservada. É muito bom isso. Quando
estive no Rio de Janeiro em 1992 não havia a
preocupação com a limpeza, e havia um
problema muito sério de meninos de rua.
Outro problema sério para o Brasil é a questão
da Amazônia. Um dano na Amazônia afeta não
só o Brasil, mas todo o mundo.
Os problemas ecológicos não são isolados.
Temos que analisá-los e fazer esforços
coletivos a nível global, nações ricas e pobres.
Porque em todo lugar, está o mesmo ser
humano, e é a mesma Terra.
Outro problema sério é a discrepância existente
entre o hemisfério Norte e Sul, a diferença
econômica. Mesmo nos Estados Unidos, há
uma grande diferença entre ricos e pobres. O
número de pobres cresce, e também cresce a
concentração de bilionários. Essas diferenças
econômicas graves são uma fonte de
problemas como a criminalidade urbana.
É fundamental que encontremos solução para
elas. Imagine se na Índia e na China, com cerca
de dois bilhões de habitantes, houvesse um
nível de vida dos países do Norte. Cada pessoa
teria um carro. Isso é impossível. Seria um
desastre ecológico. Portanto, chegou o
momento de se pensar na humanidade e seus
problemas como únicos, comuns a todos.
O QUE É O TEMPO
Agora vamos agora analisar
a perspectiva do tempo. O tempo de fato
existe, e nós existimos no tempo. Mas se
investigamos onde está tempo, não o
achamos. Portanto, não é absoluto, é relativo.
O passado, bom ou mau, se foi. O futuro é que
importa, mas o futuro depende do presente. O
agora é que faz a diferença para o futuro.
Mas onde está o presente? Também não o
consigo achar. Só posso ver o passado e o
futuro, não posso achar o presente. Um
segundo, um milésimo de segundo, onde está?
Mas sem o presente, onde estão o passado e o
futuro? Isso nos leva a crer que o presente
deve existir. Mas não o achamos.
Em toda a parte, em todos os países as
respectivas populações se acreditam o centro
do mundo. No Tibete, se acreditava que nosso
país era o centro do mundo, porque foi onde
floresceu o Dharma. Mas os chineses também
acreditam o mesmo em relação ao seu país. E
no México, me contaram que a cultura
tradicional dos povos nativos diz que ali é o
centro do mundo.
De maneira similar, para os moradores desta
cidade ela é o centro do mundo. Os que estão
aqui na Ópera de Arame acreditam que ela é o
centro do mundo. E este ser humano acredita
que ele é o centro do mundo.
O OBSERVADOR
CONSTRÓI A REALIDADE
É lógico que as coisas sejam assim. O mundo é
conhecido a partir do ponto de vista do
observador. É a partir do seu eu que determina
onde ficam o Norte, Leste, Oeste, Sul. Essas
determinações são feitas a partir do eu. Mas
não podemos achar o eu! Se dissermos que é o
corpo, o eu vai dizer "não, esse é o meu
corpo". Se dissermos que é o cérebro, o eu vai
dizer "não, esse é o meu cérebro".
Mas se também se disse quer o eu não existe,
também se estará errado. Porque o eu está aí,
já que vemos, percebemos, temos sensações.
Temos, então, que ver o conceito budista de
existência interdependente.
Como essas coisa estão aí, e não conseguimos
encontrá-las? Para entender isso, temos que
pensar no conceito de surgir interdependente,
que é um conceito que se assemelha aos
desenvolvidos pela física quântica.
Muitos cientistas não gostam de usar a palavra
realidade, porque realidade pressupõe algo
absoluto, e não há nada absoluto. É por isso
também que algumas filosofias nascidas na
Índia dizem que as coisas estão aí mas não
podem ser encontradas, elas existem apenas
através da cognição.
PODEMOS
SER FELIZES
O objetivo desse
encontro foi podermos nos tornar pessoas
melhores, com um coração mais caloroso.
Meramente utilizar nosso potencial humano
para encontrar prazeres sensoriais não iria nos
diferenciar muito dos animais. O que pode nos
diferenciar é nossa consciência, o potencial que
ela contém e como podemos usar esse recurso
para adquirir um senso de paz e tranqüilidade
duradouros.
Primeiramente, nosso objetivo foi ver como
ganhar mais tranqüilidade interior, como ter
uma mente mais relaxada, descontraída, como
eliminar os problemas criados pelo homem ou
ao menos reduzi-los.
Com relação aos problemas com que temos
que conviver, como a velhice, doença e morte,
cabe nos preparamos e aceitarmos para que
possamos atravessar esses momentos. Por
isso, é preciso ter tranqüilidade mental.
Uma perspectiva holística é muito adequada
para isso. De modo geral, não vemos que os
problemas têm uma infinidade de causa e
condições. Geralmente consideramos que têm
uma única causa e nos concentramos nela.
Mas uma abordagem holística é mais eficiente e
está ligada à idéia de interdependência. É
importante, portanto, que nosso foco de visão
seja amplo. A educação e a pesquisa científica
podem abrir nossa cabeça, desde que não
estreitemos nosso campo de visão como
alguns cientistas que deixam de ver o todo.
A autoconfiança também é importante, não a
autoconfiança cega e excessiva, mas uma
autoconfiança baseada na compaixão. Essa
pode os levar a ter força interior. Então,
podemos ter um cérebro movido por uma visão
holística baseado em um coração caloroso. E
um cérebro investigativo baseado em um
coração caloroso é a melhor forma de
encontrar a paz.
Pensamentos do 14o Dalai Lama
O Discurso do Prêmio Nobel da Paz
Os Direitos do Homem no Limiar do Século XXI
Ensinamentos: Bondade e Compaixão
Ensinamentos: Dimensões da Espiritualidade
Ensinamentos: Magia e Mistério no Tibete
Ensinamentos: Uma Abordagem Ética à
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Um Conceito Budista de Natureza
Ensinamentos: A Encruzilhada da Ciência
Ensinamentos: Uma Colaboração entre a Ciência e a Religião
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Uma biografia do Dalai Lama
Breve Diálogo com Leonardo Boff
Entrevista: o expansionismo da espiritualidade
Cooperação entre as Religiões do Mundo
Adam Yauch Entrevista S.S. o Dalai Lama
A Prática da Bondade supera a Razão (Por Pico Iyer)
Responsabilidade Universal, Direitos Humanos e Paz
Artigo da Revista The Tablet
Valores Humanos e sua Prática na Vida Cotidiana - 1
Valores Humanos e sua Prática na Vida Cotidiana - 2
Valores Humanos e sua Prática na Vida Cotidiana - 3
Valores Humanos e sua Prática na Vida Cotidiana - 4
Dalai Lama em São Paulo: 27 a 30 de abril de 2006
Do nascimento ao exílio - 1
Do nascimento ao exílio - 2
Os três principais comprometimentos de vida
Ensinamentos: a importância de plantar e proteger árvores
Ensinamentos: Ecologia e o coração humano
Harmonia religiosa
Ensinamentos: Religião no mundo de hoje
Ensinamentos: Pensando globalmente - uma tarefa universal
Ensinamentos: sumário do budismo
Ensinamentos: um Meio-Ambiente limpo é um Direito Humano
Ensinamentos: uma mente tendenciosa não percebe a realidade
Os Dalai Lamas
FONTE DOS TEXTOS
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